O Globo, O Pais, p.10
12 de Out de 2004
Ex-governador de Mato Grosso é suspeito de ser mandante de crimes
Júlio Campos é acusado de envolvimento na morte de empresário e geólogo
SÃO PAULO. O ex-governador de Mato Grosso (1993-1997) e ex-senador Júlio Campos, atual conselheiro do Tribunal de Contas do estado, é apontado pela polícia como o principal suspeito de ser o mandante de dois assassinatos em São Paulo: o do empresário Antônio Ribeiro Filho, em 5 de agosto, em Guarujá, no litoral sul, e do geólogo húngaro Nicolau Ladislau Haraly, em 20 de julho, no Morumbi, na capital.
Ele é o principal suspeito, sim. Não tenho dúvidas de que as mortes estão relacionadas com fraudes envolvendo terras mato-grossenses afirmou o delegado João Jorge Guerra Cortez, de Santos.
Por meio de sua assessoria no Tribunal de Contas, Campos negou qualquer envolvimento nos crimes.
Assassinatos têm relação com disputa de terras
No entanto, de acordo com o delegado, os assassinatos têm relação com a disputa por 87 mil hectares em Aripuanã (MT), avaliados em R$15 milhões, onde haveria jazidas de pedras preciosas, principalmente turmalinas e diamantes. As terras, segundo o delegado, pertenceriam à empresa Agropastoril Cedro Bom, do empresário Ribeiro Filho. O geólogo Halary, que teria feito os estudos das terras, seria sócio de Ribeiro Filho em alguns negócios. A polícia descobriu que em maio houve uma alteração fraudulenta do contrato de propriedade das terras.
Segundo a polícia, os novos proprietários seriam Nauriá Alves de Oliveira e Delci Baleeiro Souza, que estão foragidos.
Os dois trabalham para Júlio Campos. Nauriá é secretária na emissora de TV de propriedade do político suspeito, em Cuiabá, e Souza, segurança do ex-senador disse o delegado.
Segundo Cortez, há suspeita de que os novos proprietários sejam laranjas. A polícia encontrou em Cuiabá o contador Carlos Almeida, que confessou a alteração do contrato. Segundo a polícia, ele disse ter recebido ordem de Júlio Campos.
Para a polícia, Ribeiro Filho descobriu a fraude quando foi pagar os impostos de suas terras. Ele pretendia denunciar o golpe, mas foi assassinado na praia. Dias antes, seu sócio foi morto. Segundo o delegado participaram dos crimes um PM, um agente e um ex-agente policial que estão presos.
O delegado Cortez disse que o PM Nelson Barbosa Oliveira foi reconhecido por fotografia por uma testemunha do assassinato do geólogo. O ex-agente Ezaquiel Leite Furtado e o agente Eduardo Minare Higa, ambos da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, foram capturados pela polícia de Santos no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Do Diário de S.Paulo
O Globo, 12/10/2004, p. 10
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