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Ex-diretor do Ibama nega fraude e tem apoio

OESP, Nacional, p.A12
08 de jun de 2005

Ex-diretor do Ibama nega fraude e tem apoio
Acusado de ligação com quadrilha que desmatou 43 mil hectares no MT, Antônio Hummel depôs ontem na PF
Nelson Francisco Especial para o Estado CUIABÁ
O ex-diretor de Florestas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Antônio Carlos Hummel negou ontem, em depoimento à Polícia Federal, seu envolvimento no esquema de corrupção da maior quadrilha especializada em extração ilegal e venda de madeira na Amazônia. Hummel, que se entregou à polícia em Brasília na quinta-feira da semana passada, chegou algemado na PF em Cuiabá, Mato Grosso, e disse que nunca se envolveu em irregularidades com o bando responsável por devastar 43 mil hectares no Estado.
Com o rosto coberto, ele disse que está acontecendo "um grande equívoco". "Eu não sou autoridade competente para autorizar nenhum plano de manejo. Eu nunca autorizei nenhum plano de manejo no Estado do Mato Grosso", afirmou o ex-diretor do Ibama.
De acordo com as denúncias, Hummel teria concedido autorizações irregulares de plano de manejo em áreas indígenas e de conservação ambiental permanente no Estado.
GRAMPO
O juiz Julier Sebastião da Silva, que decretou a prisão temporária do ex-diretor do Ibama, argumentou que as interceptações telefônicas realizadas nas investigações demonstram "proximidade de relação" entre Hummel e os investigados Alex Leonardo de Oliveira e Evandro Vieira Trevisan, acusados de "gerar créditos de reposição florestal inexistentes".
Em carta, os servidores do Ibama em Brasília saíram em defesa do ex-diretor que é funcionário do órgão há 23 anos. A carta cita uma série de medidas tomadas por Hummel para evitar a exploração irregular de planos de manejo florestal, a emissão e circulação ilegal de autorizações de desmatamento em terras públicas.
De acordo com o texto, os funcionários "acreditam na lisura de Antônio Hummel, que desde que assumiu o cargo de diretor, em 2003, sempre se posicionou de forma transparente, corajosa, leal e calcada na ética e nos princípios da exploração racional dos recursos florestais e preservação do meio ambiente".
Na semana passada, o presidente do Ibama, Marcus Barros, afirmou não ter dúvidas da improcedência da acusação de que o diretor de Florestas "se beneficiaria financeiramente do esquema de corrupção".
"Uma acusação desse porte precisa de dados objetivos. Hummel não é um homem rico, é funcionário público há 23 anos, técnico de alto nível e, por isso, o convidei pessoalmente para assumir a diretoria de Florestas", contou Barros.
Anteontem, o ex-gerente executivo do Ibama Hugo José Werle também negou em depoimento à PF participação no esquema de corrupção.

OESP, 08/06/2005, p. A12

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