O Globo, Economia, p. 41
27 de Ago de 2006
Evo revoga as concessões em áreas florestais
Medida deve atingir Petrobras e Repsol, embora autoridades bolivianas não tenham divulgado nomes de empresas
O presidente da Bolívia, Evo Morales, revogou ontem as concessões petrolíferas e florestais de 20 parques nacionais do país. As autoridades não informaram que companhias de petróleo serão afetadas pela medida. Mas a brasileira Petrobras, a espanhola Repsol-YPF e a francesa Total possuem concessões de exploração em parques nacionais da Bolívia.
- Aqui e agora começa a nacionalização de nossos recursos naturais - disse Morales a um grupo formado por camponeses e indígenas na comunidade de Laja, 1.100 quilômetros ao norte de La Paz, em plena Amazônia boliviana.
Ele disse que haverá saneamento dessas terras para favorecer os camponeses, de forma que eles defendam o meio ambiente.
- Cerca de 20 parques ecológicos voltarão a ser administrados pelo Estado. Isso significa 20% da superfície de nosso território (de cerca de 300 mil quilômetros quadrados) - explicou Erland Flores, do Serviço Nacional de Áreas Protegidas.
Em La Paz, a Procuradoria Geral ordenou a prisão de vários ex-executivos das petrolíferas Andina (filial da Repsol-YPF) e Petrobras, em meio a uma investigação por suspeita de fraude. Segundo o procurador Alberto Cornejo, o objetivo é facilitar as investigações.
Muitos desses executivos já não vivem mais na Bolívia, e alguns deixaram as empresas. Na sexta-feira, procuradores de Santa Cruz fizeram uma busca nos escritórios da Repsol-YPF, na tentativa de encontrar um suposto contrato irregular entre Andina e Petrobras.
Em junho, o ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, e o diretor da Andina, Hernán Camacho, afirmaram que a empresa teria um contrato secreto de "redução da volatilidade de preços do gás natural com a Petrobras, provocando fraude e danos econômicos ao Estado".
Segundo Soliz, a suposta fraude só foi descoberta com a nacionalização dos hidrocarbonetos, em 1 o de maio. Na ocasião, também foi alterado o cálculo do imposto recolhido pelas petrolíferas. Ontem, o governo informou que elas terão de pagar, no total, US$ 150 milhões em setembro e outubro.
O Globo, 27/08/2006, Economia, p. 41
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.