OESP, Vida, p. A22
20 de Mai de 2009
EUA estabelecem limite de emissão de poluente de carro
Meta é reduzir em 30% as emissões até 2016 e aumentar a eficiência do consumo em 40%
Patrícia Campos Mello
Correspondente
Washington
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem novas metas de eficiência para consumo de combustível e limites para emissões de poluentes de automóveis. As medidas devem resultar em redução de 30% na emissão de poluentes até 2016 e aumento de 40% na eficiência do consumo de combustível.
Com as novas regras, veículos e caminhões leves terão de fazer, em média, 15,5 km por litro em 2016. Hoje em dia, o parâmetro é de 10,5 km por litro. Separando entre carros e caminhões, a meta é de 16,5 km por litro para automóveis em 2016 e 12,8 km por litro para caminhões. Como comparação, um carro econômico no Brasil faz hoje entre 15km/l e 18 km/l.
"Este é um acordo histórico que vai ajudar a América a reduzir sua dependência do petróleo, diminuir a poluição e começar a transição para uma economia baseada em energia limpa", disse Obama. Segundo a Casa Branca, o plano equivale a retirar 177 milhões de carros das estradas nos próximos seis anos e meio.
"Como resultado desse acordo, pouparemos 1,8 bilhão de barris de petróleo ao longo da vida útil dos carros que serão vendidos nos próximos cinco anos", afirmou Obama. Neste período, a economia em combustível de automóveis equivale à soma das importações de petróleo feita pelos EUA no ano passado da Arábia Saudita, Venezuela, Líbia e Nigéria.
Em 2007, o presidente George W. Bush assinou uma lei de energia que determinava melhora de 40% nos padrões de consumo de combustível de carros até 2020. Obama antecipou a meta em 4 anos e adotou os mesmos padrões rígidos que a Califórnia tentava adotar, mas sofria a objeção do governo Bush e das montadoras. Obama tornou esses padrões nacionais, mas com maior prazo para as montadoras os cumprirem.
"Pela primeira vez na história temos uma política nacional voltada para aumentar a eficiência dos veículos e redução a emissão de poluentes de todos os carros e caminhões vendidos nos EUA", disse Obama.
As montadoras passaram anos brigando contra a imposição de padrões de quilometragem mais rígidos ou de limites para poluição veicular. Argumentavam que isso quebraria a indústria. Agora, com a Chrysler em concordata e a GM prestes a entrar em uma, o poder de barganha da indústria está reduzido. E as montadoras apoiaram o plano, pois acham melhor do que ter vários Estados estabelecendo padrões diferentes em prazos curtos. "A estrutura de um programa nacional vai nos dar mais clareza, certeza e flexibilidade para atingirmos as metas nacionais", disse Alan Mulally, presidente da Ford.
Mesmo assim, não vai ser fácil. A GM afirmou que seus carros fazem em média 12,5 km por litro, bem abaixo das metas. Os novos padrões de consumo e emissão também vão pesar no bolso do consumidor: cerca de US$ 1,3 mil por veículo, quando q plano estiver completo. Mesmo assim, a Casa Branca argumenta que a queda no gasto de combustível vai gerar economia de US$ 2.800 ao longo da vida útil do veículo.
Os ambientalistas comemoraram. "Esta é uma das medidas mais significativas já adotada por um presidente, na história, para acabar com nossa dependência do petróleo e cortar seriamente as emissões de poluentes que contribuem para o aquecimento global", disse Carl Pope, presidente da entidade ambientalista Sierra Club.
A decisão também resolve as disputa jurídicas envolvendo a Califórnia, que queria adotar suas próprias regras mais duras, e 13 outros Estados e o Distrito Federal, que queriam seguir os padrões da Califórnia.
Como novo plano, todos os estados se comprometem a seguir o padrão federal.
As montadoras terão de reduzir drasticamente a produção de veículos menos econômicos, como picapes e sedãs maiores. O plano deve acelerar o desenvolvimento de carros menores e motores mais eficientes. Obama já havia criticado as montadoras americanas por terem resistido tantos anos a aceitar padrões de eficiência energética e redução de poluição. A ausência de produção de carros econômicos seria um dos motivos por trás da derrocada da indústria automobilística americana.
Montadoras japonesas como Honda e Toyota estão muito na frente das americanas na fabricação de carros híbridos e econômicos.
OESP, 20/05/2009, Vida, p. A22
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