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EUA alertam o Brasil

CB, Mundo, p. 21
18 de Mar de 2008

EUA alertam o Brasil

Da Redação

A descoberta, na sexta-feira, de uma plantação de coca a 150 km da cidade de Tabatinga, no Amazonas, despertou o interesse da Agência Federal de Combate às Drogas (DEA, sigla em inglês) dos Estados Unidos.
O órgão pediu ontem que as autoridades brasileiras fiquem atentas ao primeiro caso de cultivo da planta encontrado no lado brasileiro do Rio Amazonas.
"Não nos parece que o Brasil tornou-se um importante produtor. Mas é preciso que as agências permaneçam vigilantes", declarou o porta-voz da DEA, Garrison Courtney, à agência de notícias Associated Press.
De acordo com o 8o Batalhão de Infantaria de Selva (8o BIS), do Exército brasileiro, responsável pela descoberta e queima do material, a área de dois hectares possuía mais de sete mil pés de coca. Até agora, só se registrava no Brasil a presença de uma planta similar, o epadu, menos capaz de produzir cocaína.
Para a DEA, essa é a prova de que a droga, geralmente cultivada em regiões montanhosas de países andinos, tem sido plantada com sucesso em outras áreas, devido ao desenvolvimento de variantes híbridas.
"O Amazonas é uma área perfeita, com toda a sua vegetação e zonas desabitadas. Cria uma oportunidade quase perfeita. Os narcotraficantes estão sempre buscando áreas novas", destacou Courtney.
Fronteira
Tabatinga faz divisa com a cidade colombiana de Letícia, e a região é conhecida por ser um canal de livre trânsito, o que facilitaria o tráfico de drogas. No entanto, a zona em que foi encontrada a plantação, ao sul de Tabatinga, é mais próxima à fronteira do Brasil com o Peru.
A descoberta foi feita com a ajuda de imagens de satélite, e os pés de coca já estavam em ponto de colheita. As plantas estavam escondidas sob lavouras de mandioca e abacaxi. Foi encontrado um laboratório e material utilizado no refino da droga - galões de ácido sulfúrico, sacos de cimento, cal e amônia. A pasta base da cocaína seria contrabandeada pelos rios da região até cidades maiores, como Manaus, de onde segue para o resto do país ou para o exterior.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Vinícius Diniz, a ação de sexta-feira mostra que a área tem sido monitorada com eficácia. "Eles tentam criar coisas diferentes, mas a integração das forças tem um resultado positivo. Estamos conseguindo mostrar para eles que a região é protegida e, com a união das inteligências (do Exército e da Polícia Civil), chegamos ao êxito dessa operação", avaliou.

CB, 18/03/2008, Mundo, p. 21

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