OESP, Vida, p. A19
17 de Jun de 2009
EUA admitem impactos do aquecimento
Efeitos já são sentidos no presente, diz 1.o relatório da gestão Obama
AP, Washington
Um relatório divulgado ontem pela Casa Branca indica que os efeitos perigosos das mudanças climáticas já atingiram os Estados Unidos e vão piorar nos próximos anos. Esse é o primeiro documento do gênero divulgado pela administração Obama, com ênfase não vista nas versões anteriores, da administração Bush.
Segundo o relatório, o país sofre com tempestades mais frequentes, aumento da temperatura e do nível dos oceanos, retração de glaciares e alteração em rios. "Já há em certos casos algumas consequências sérias", disse o coautor, Anthony Janetos, da Universidade de Maryland. "Não se trata de algo teórico que acontecerá em 50 anos. (Os efeitos) estão acontecendo agora."
O documento - um relatório sobre a situação climática requerido periodicamente pelo Congresso - não traz nenhuma pesquisa nova sobre o assunto. Mas apresenta as informações com uma tinta muito mais forte do que a usada nos últimos anos - o último relatório produzido na administração passada, aliás, só foi divulgado por decisão judicial. Ele serve de base para o documento deste ano.
IMPACTOS
Os autores estimam que a temperatura média nos Estados Unidos pode ser até 11oC mais alta no fim do século. "Limites serão ultrapassados, o que levará a grandes mudanças no clima e nos ecossistemas", escrevem. Isso inclui, por exemplo, a sobrevivência de espécies.
A água - em demasia ou de menos - é um tema recorrente. O sudoeste do país, por exemplo, pode se tornar mais quente e mais seco a ponto de haver uma crise ambiental. Ondas de calor extremo também podem ser mais comuns - ano sim, ano não, e não a cada 20 anos, como hoje. A costa leste americana será bastante afetada pela subida dos oceanos.
O conselheiro científico da Casa Branca, John Holdren, disse em um comunicado que o documento mostra a necessidade de o país agir para reduzir o ritmo do aquecimento global. "Ele nos fala por que ações corretivas são necessárias mais cedo em vez de mais tarde."
O ex-presidente George W. Bush era contrário a medidas duras de mitigação do problema e mantinha uma posição refratária a qualquer debate sobre aquecimento.
OESP, 17/06/2009, Vida, p. A19
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