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Etnias cobram participação

A Crítica-Manaus-AM
27 de fev de 2002

A formulação e definição de projetos, na área educacional, que envolvam os índios deverão ser feitas em conjunto com as lideranças, organizações e comunidades indígenas. Essa é uma das orientações do documento final da 2ª Assembléia do Conselho dos Professores Indígenas da Amazônia (Copiam), encerrada na noite de ontem no Centro de Treinamento Mariápolis "Maria de Loreto", no KM 26,6 da AM-010 (Manaus-Itacoatiara). Mais de cem professores indígenas reuniram-se, desde domingo, para definir qual a posição do Copiam quanto ao tema Educação Escolar Indígena nos três níveis (fundamental, médio e superior).

A assembléia acontece no momento em que projetos governamentais na área educacional estão sendo lançados tendo como público alvo as populações indígenas. No Amazonas, o Governo Estadual, por meio da Fundação Estadual de Políticas Indigenistas (Fepi), apresentou proposta para criação, a partir de maio, do Centro de Estudos Superiores Indígenas (Cesi) e, em Roraima, a universidade federal está implantando um projeto de educação indígena diferenciada. A Universidade Federal de Mato Grosso é pioneira no desenvolvimento de cursos para indígenas no País.

Para o Copiam, os avanços legais e políticos alcançados na educação são resultado e reflexo do nível de organização e da capacidade reivindicatória dos professores indígenas e das organizações representativas desses povos. O conselho chama a atenção, entretanto, para o fato de não haver orçamento específico e repasse de recursos financeiros e humanos visando atender demandas da escola indígena bilíngüe e intercultural.

Participaram da 2ª Assembléia professores indígenas dos Estados do Amazonas, Roraima, Acre e Mato Grosso, representando os povos ticuna, sateré-maué, maiuruna, ianomami, macuxi, uapixana, iecuana, cambeba, mura, pareci e tucano. O coordenador geral das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Cláudio Mura, disse que a hora é de unificar as lutas do movimento indígena, representado por diferentes frentes - professores, mulheres, estudantes, agentes de saúde e produtores -, para garantir atuação qualificada e contundente em prol da garantia dos direitos dos povos indígenas da Amazônia.

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