VOLTAR

Estudo alerta que poluição pode causar hipertensão

OESP, Vida, p. A20
30 de Set de 2005

Estudo alerta que poluição pode causar hipertensão
Quando há mais poluentes no ar, triplica o número de atendimentos de pacientes com pressão alta em hospital de SP. O monóxido de carbono afeta diretamente as artérias

Adriana Dias Lopes

Em dias com índices altos de poluição, o número de atendimentos de pacientes com hipertensão triplica no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em relação aos dias normais e regulares. A conclusão, resultado de um trabalho de dois anos do cardiologista Abrão José Cury Jr, diretor da Sociedade Brasileira de Clínica Médica Regional São Paulo, é uma das melhores pistas já encontradas para explicar a relação dos poluentes com doenças do coração, já que a hipertensão é a principal causa de problemas cardiovasculares.
Os efeitos negativos são associados ao fato de que os poluentes provocam alterações bioquímicas na camada de revestimento interno das artérias, chamada endotélio. A função das artérias é levar sangue do coração aos demais órgãos. O endotélio produz um hormônio chamado endotelina, que contrai os vasos, e o óxido nítrico, que os relaxa. "Os poluentes agem quimicamente nas endotelinas, aumentando a quantidade desse hormônio", explica Cury. "As artérias, portanto, se contraem com os poluentes."
Monóxido de carbono
As influências negativas dos poluentes na pressão arterial serão analisadas em detalhe no próximo trabalho do cardiologista. Mas já é possível afirmar, por exemplo, que o monóxido de carbono, principal componente da fumaça dos carros, tem uma ação bem específica no endotélio. "Esse poluente tem uma enorme afinidade com a hemoglobina, que é a responsável por transportar o oxigênio aos órgãos", explica o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, coordenador do Comitê do Selo Funcor, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) "Com isso, ele ocupa o espaço que seria do oxigênio na hemoglobina." Trata-se de uma bola de neve. Com menos oxigênio, o endotélio não trabalha direito e as artérias, conseqüentemente, ficam mais contraídas.
A diminuição da oferta de oxigênio já era associada a problemas cardíacos pelo fato de ele ficar sobrecarregado com a falta de oxigênio. "Agora conseguimos mostrar quantitativamente que a poluição age desde o início do problema", diz Cury.
A hipertensão tem causa genética e ambiental. A poluição, portanto, seria um dos fatores ambientais (stress e alimentação gordurosa estão entre os outros). A doença atinge 30% dos brasileiros, de acordo com a SBC. Ela se caracteriza pela dificuldade que o sangue tem para passar pelas artérias e, portanto, para transportar oxigênio.
Os índices médicos que identificam um hipertenso estão cada vez mais rígidos. Hoje, o número aceito para medir a pressão baixa (referente à resistência dos vasos sanguíneos) é de 80, dez a mais do que há apenas uma década. O limite para a pressão alta (que mede a pressão sanguínea que o coração consegue executar por batida), agora é 120.

Na Europa, poluentes poderão matar 300 mil pessoas

IMPACTO: Cerca de 300 mil pessoas vão morrer prematuramente na Europa até 2020 se nada for feito para reduzir os níveis de poluição do ar, segundo dados apresentados pelo comissário de,Meio Ambiente da União Européia (UE), Stavros Dimas. 0 custo disso para os sistemas públicos de saúde, segundo ele, poderá passar de US$ 700 bilhões (R$1,5 trilhão) por ano. A maior parte das mortes deverá ser causada pelo material particulado emitido pelo escapamento de automóveis.
Para Dimas, isso prova que tratara qualidade ambiental como prioridade traz também benefícios sociais e econômicos. "Precisamos de apoio, porque há pessoas e interesses que colocam o meio ambiente em segundo lugar", disse o comissário, durante encontro com políticos e empresários em Londres. "Há sempre um pensamento na Europa de que o crescimento econômico deve ser obtido a qualquer custo e que o meio ambiente é um empecilho ao crescimento." Segundo ele, é preciso melhorar a qual idade das emissões veiculares. "Vamos ver se a estratégia voluntária funciona. Se não, talvez tenhamos que legislar."
Outro estudo, publicado na revista científica Human Reproduction, mostra que a poluição do ar pode danificar os espermatozóides, o que pode resultar em malformações de fetos e abortos espontâneos. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto de Pesquisa Veterinária da República Tcheca, em parceria com a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos. Os resultados, segundo o artigo, mostram "uma relação significativa entre a exposição periódica a altos níveis de poluição do ar.., e a porcentagem de espermatozóides com fragmentação do DNA".
O levantamento foi feito com 35 jovens que vivem em um distrito muito poluído do país (Teplice). Segundo os cientistas, há vários elementos químicos na poluição do ar que podem causar danos ao DNA. The Guardian

OESP, 30/09/2005, Vida, p. A22

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.