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Estrangeiros dominam pesquisas na região

OESP, Vida, p. A20
21 de jul de 2005

Estrangeiros dominam pesquisas na região

Ricardo Westin

Um levantamento feito nas mais importantes publicações científicas do mundo mostra que o conhecimento científico sobre a Amazônia está concentrado nas mãos de estrangeiros. Apenas 22% dos artigos científicos a respeito da floresta publicados entre janeiro e abril de 2004 foram escritos por pesquisadores que vivem no Brasil.
A análise foi feita pelo biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Adalberto Luís Val. Ele fez o levantamento pelo Portal Periódicos, o site do Ministério da Educação que reproduz os textos de 9 mil publicações científicas brasileiras e estrangeiras.
Dos 452 artigos sobre a Amazônia publicados nos quatro primeiros meses do ano passado, 352 foram produzidos por pesquisadores que moram fora do País. O número nacional (100 textos) é menor, por exemplo, que a produção de cientistas americanos, que escreveram 107 artigos sobre a floresta que cobre 60% do território brasileiro.
Para o pesquisador do Inpa, esses números revelam "perda de soberania". "A única forma de termos o domínio daquela região é estudá-la. Quando temos de comprar de fora os dados científicos que foram coletados aqui dentro, a nossa soberania fica em risco", diz ele.
Val apresentou os números nesta semana na 57ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Fortaleza. Esse é um de seus principais argumentos para defender a criação do Programa Acelera Amazônia, que tem como objetivo triplicar o número de grupos de pesquisa e pós-graduação que atuam hoje na floresta.
Segundo ele, as pessoas que têm qualificação não se interessam em trabalhar na Amazônia porque há poucos cursos de pós-graduação na região e porque os salários não são atraentes. Como instituições que precisam de pesquisadores, ele cita as universidades federais, o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Centro de Biotecnologia da Amazônia e o próprio Inpa.
A criação do Acelera Amazônia já está em estudo pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e deve fazer parte das metas do governo de aumentar a oferta de cursos de pós-graduação.

OESP, 21/07/2005, Vida, p. A20

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