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Estiagem faz governo acionar térmicas

OESP, Economia, p. B1
08 de Jan de 2008

Estiagem faz governo acionar térmicas
Volume de chuvas está abaixo da média dos últimos 76 anos e esvazia reservatórios das usinas hidrelétricas

Alaor Barbosa

A falta de chuvas nas últimas semanas está reduzindo a quantidade de água para geração de energia nas hidrelétricas. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está usando todas as usinas térmicas disponíveis para gerar energia, mas não tem sido suficiente para evitar o esvaziamento. A água armazenada nos reservatórios do Sudeste caiu para 44,9%, com folga de apenas 5,6 pontos em relação ao mínimo fixado pelo governo. Embora o País tenha capacidade para gerar até 12 mil megawatts (MW) de térmicas, a geração efetiva tem ficado em cerca de 4,5 mil MW médios com a falta de gás natural. Isso equivale a menos de 10% do consumo nacional, de cerca de 52 mil MW médios.

Em janeiro, costuma ocorrer aumento do nível de água nos reservatórios, mas o volume de chuvas deste ano está abaixo da média dos últimos 76 anos, desde que o governo começou a fazer levantamentos do volume de chuvas. No Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas ficaram 53% abaixo da média histórica e em torno de 50% no Nordeste. No Norte, a seca é ainda maior, com as chuvas 64% abaixo da média de longo prazo, o que se caracteriza como um dos períodos mais secos das últimas décadas.

A seca pressiona os preços de energia no mercado de atacado, que subiram para R$ 473,30 o megawatt/hora (MWh) esta semana. Esse nível representa aumento de 91,61% na semana passada, o mais elevado desde o fim do racionamento, em junho de 2002. O panorama atual é radicalmente diferente do observado nos últimos cinco anos, em que houve excesso de chuvas e os reservatórios estavam cheios, o que se refletia nos preços no atacado. Na primeira semana de 2007, por exemplo, o MWh estava em R$ 28,16 no Sudeste e em R$ 17,59 no Nordeste.

Em 2006, era de apenas R$ 16,92 por MWh. Um especialista admite que o quadro preocupa até porque o governo está sem opções para ampliar a oferta no curto prazo.

Segundo fontes do setor, não há sinais de que o Brasil vai ter de racionar energia este ano ou mesmo em 2009, já que o "período molhado" no Sudeste perdura até abril. "Ainda temos três meses para aguardar chuvas", diz um especialista. "Se as chuvas forem intensas em apenas em um mês e nos locais certos, a situação se estabiliza."

A administração do sistema, porém, exige mais esforços do governo. O acionamento das térmicas no Nordeste, por exemplo, impõe à Petrobrás um grande aumento no fluxo de caminhões para entrega de óleo diesel e óleo combustível na região. "São 150 caminhões a mais nas estradas, todos os dias", diz um técnico.

Além disso, o ONS aumentou para quase 3 mil MW médios a transferência de energia do Sudeste para o Norte e Nordeste, o que está acelerando o esvaziamento dos reservatórios do Sudeste.

OESP, 08/01/2008, Economia, p. B1

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