VOLTAR

Estiagem afeta o turismo e a pesca no 'Mar de Minas'

OESP, Economia, p. B3
16 de Mar de 2014

Estiagem afeta o turismo e a pesca no 'Mar de Minas'
Lago de Furnas sofre com a seca; pescadores, fazendeiros e turismo disputam com as usinas um reservatório baixo

Rene Moreira, Especial para o estado - O Estado de São Paulo

Um dos maiores lagos artificiais do mundo está cada vez mais seco. Nem mesmo as águas de março estão resolvendo um problema que ameaça a economia de dezenas de municípios e o fornecimento de energia elétrica a milhões de brasileiros. O Lago de Furnas, que por sua dimensão ganhou apelidos como "Mar de Minas" e "Caixa d'Água do Brasil" nunca esteve numa situação tão incômoda.
Alimentado por nascentes e rios, ele cobre uma superfície de 1.406,26 km² e banha diretamente 34 cidades do sul de Minas Gerais. São localidades que atraem muitos turistas em busca das belezas naturais da região, que, além de pescadores, concentra navegadores e empreendimentos voltados ao turismo. Para todos, a situação não tem sido fácil.
O lago, projetado inicialmente para mover a Usina Hidrelétrica de Furnas, está em alguns locais com pouco mais de 20% de sua capacidade, um recorde visto apenas na época do racionamento, em 2001. Mas, naquele ano, ao contrário de agora, a expectativa de chuva existia e bastava esperar que as coisas voltassem ao normal. Desta vez, o índice do reservatório está 11 metros abaixo do máximo em plena época das águas - que está chegando ao fim.
"Está todo mundo preocupado, até porque em outras cidades o lago está quase seco", afirma Baltazar Batista de Oliveira, de 66 anos, morador em São José da Barra (MG), a poucos quilômetros de Furnas. Tendo trabalhado por anos na usina, em uma empresa terceirizada, também foi pescador antes de se aposentar. "A gente pegava aqui peixe de quase 2 metros, pois tinha muita curimba e dourado".
Segundo ele, hoje existem apenas peixes menores e está cada vez mais difícil para fisgar alguma coisa. "Eu mesmo até já desanimei de pescar e tem muito pescador profissional por aqui que mudou de trabalho", afirma Oliveira. Morador na região desde 1967, ele diz nunca ter visto nada igual. "A água está sumindo cada vez mais. A chuva é pouca e até quem vive da agricultura está sofrendo para sobreviver".
Se para o pescador e o produtor rural a situação não é boa, para o turismo também não é das melhores. Sem contar a pesca esportiva comprometida, o baixo nível da água também impede barcos de navegar em vários pontos do lago, reduzindo a presença de turistas.
Morador em Curvelo (MG), o policial militar aposentado Antônio Carlos Fernandes Pereira afirma sempre visitar o lago, a quase 380 quilômetros de onde mora. Mas, se a seca continuar acentuada, ele acredita que, assim como outros turistas, não terá mais o que ver.
De cima do Mirante de Furnas, em São João Batista do Glória, ele mostra o quanto a água baixou desde a última vez em que esteve no local, há apenas seis meses. Pereira aponta para uma vegetação que, segundo ele, estava submersa na ocasião. "A água está baixando sem parar, é algo assustador para quem está acostumado a vir aqui."

Principal usina da região já opera com 30% da capacidade

O Estado de S.Paulo

Nem mesmo as chuvas de verão foram capazes de reverter a tendência de queda no Lago de Furnas. Na tarde da última sexta-feira, a principal usina da região operava com apenas 30,93% de sua capacidade. No mesmo período do ano passado esse porcentual era de 62,58%.
A Usina de Furnas responde por 17,46% da energia elétrica fornecida ao Sudeste e Centro-Oeste do País. E se nela a situação é crítica, em outras que operam no mesmo lago é ainda pior, caso de Água Vermelha (22,03%) e Marimbondo (27,59%). A medição é feita pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).
Apesar de as usinas operarem com baixo nível de água, Furnas vê a situação dentro da normalidade. De acordo com a assessoria da companhia, já houve outros índices baixos no passado e isso não tem prejudicado a geração de energia.
O Lago de Furnas surgiu em fevereiro de 1963, encobrindo casas, plantações e cidades inteiras, transformando a paisagem do Sul de Minas. / R.M.

OESP, 16/03/2014, Economia, p. B3

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,estiagem-afeta-o-turismo-e-…

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,principal-usina-da-regiao-j…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.