OESP, Metrópole, p. A17
21 de Out de 2015
Estatal é acusada de omitir dados em mineração de urânio
Após contaminação em poço, Ibama e Estado da Bahia dizem em audiência na Câmara não ter acesso a dados; INB nega
André Borges - O Estado de S. Paulo
As Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal responsável pela exploração de urânio na Bahia, foi acusada de omitir informações do governo e de órgãos de controle. Em audiência da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler, disse que até mesmo seu governo não tem acesso a dados da empresa. "O que o Estado se ressente muito é que, às vezes, a informação que nós mesmos pedimos à INB não vêm a contento."
A falta de transparência também foi apontada pelo coordenador-geral de Transporte, Mineração e Obras Civis do Ibama, Jônatas Trindade. Tanto o Ibama quanto o governo da Bahia só tomaram conhecimento da contaminação de urânio em Lagoa Real a partir da reportagem do Estado em 22 de agosto. Ao comentar o caso, Trindade disse que a empresa não tem uma comunicação devidamente formalizada e "essa falta de formalidade gera um problema sério de 'disse, não me disse' para o órgão licenciador".
O problema foi endossado pelo funcionário da INB Lucas Mendonça dos Santos, que trabalha na empresa há 13 anos. Secretário-geral do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião e representante da Comissão Paroquial do Meio Ambiente em Caetité, Santos lembrou que a INB omitiu por sete meses a informação sobre a contaminação de um poço de Lagoa Real. O deputado Sarney Filho (PV-MA) disse que vai cobrar novos esclarecimentos da INB, que nega as acusações. "Precisamos de transparência."
OESP, 21/10/2015, Metrópole, p. A17
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