O Globo, Rio, p. 30
12 de Mai de 2007
Estado vai criar certificação de reservas privadas
Minc diz que RPPN da Light será primeira a ser autorizada
O governo do estado vai criar um sistema de certificação para Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Atualmente, a unidade só pode ser implantada através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). A medida, segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, visa a estimular a criação de novas reservas particulares em território fluminense.
- A reserva particular da Light, em Lajes, será a primeira a fazer parte do sistema de certificação estadual de RPPNs. Originalmente, o estado queria que a área onde será criada a RPPN se tornasse parte da APA Guandu. Como a empresa decidiu criar a reserva, concordamos com a mudança - disse o secretário.
Área da Light tem florestas mais preservadas do estado
A RPPN da Light vai ocupar uma área especial do estado.
De acordo com o secretário executivo do Instituto Terra, Maurício Ruiz, a Mata Atlântica do local é uma das mais preservadas do estado, com vários trechos de vegetação primária (jamais retirada pelo homem).
- É uma área verde muito grande, com florestas bem conservadas. Entre as espécies de fauna encontradas na área, estão a onça parda, o tamanduá-bandeira, o queixada e a capivara, entre outros. Na flora, temos espécies como o jequitibá-branco, os ipês amarelo e rosa, a paineira, os angicos branco e vermelho, o pau d'álho e o pau marfim.
A coordenadora da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica da Fundação SOS Mata Atlântica, Erika Guimarães, considera a reserva estratégica para o estado.
- Várias ações têm sido desenvolvidas no corredor ecológico Tinguá-Bocaina. A criação da reserva é importante para conectar uma área contínua ainda maior - afirmou.
Represa abastece 11% da Região Metropolitana
A Light é proprietária dessa área há mais de cem anos, de acordo com o superintendente da empresa, Lars Grael. No local, há uma enorme represa, cujo entorno está preservado.
Os funcionários da empresa que trabalham em Lajes contam que, no início do século passado, o medo do mosquito da febre amarela garantiu a conservação da região. Eles teriam deixado um quilômetro de Mata Atlântica preservada no entorno do reservatório porque acreditavam que esse era o alcance do mosquito. Assim, o inseto não poderia alcançar as casas.
A água da represa, límpida e cheia de cardumes de peixes, gera energia para a Light e abastece 11% da Região Metropolitana do Rio. Devido à sua qualidade, segue numa tubulação sem a necessidade do tratamento convencional da Cedae, na Estação Guandu.
O Globo, 12/05/2007, Rio, p. 30
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.