A Critica, Cidades, p.C4
18 de Dez de 2004
Estado terá mosaico de unidades de conservação
Serão nove áreas protegidas nos Municípios de Apuí e Manicoré, no Sul do Amazonas
O Governo do Amazonas criou ontem nove áreas de conservação ambiental nos Municípios de Apuí (a 220 quilômetros de Manaus) e Manicoré (a 333 quilômetros), no Sul do Estado. Esse novo conjunto de unidades recebeu o nome de mosaico e visa conter a grilagem de terras na região e o conseqüente aumento do desmatamento.
Os decretos assinados por Braga criaram quatro novas Florestas Estaduais (Floes), dois novos Parques Estaduais (PEs), duas novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e uma Reserva Extrativista (Resex). "A criação dessas unidades só é possível porque vivemos um novo tempo no Brasil, com a União entendendo que a gestão dos problemas ambientais deve ser compartilhada", disse, em discurso, o governador.
O Secretário Nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou a. importância do ato do governo do Estado, que cria dificuldades para o avanço do desmatamento numa das regiões mais sensíveis do País. Capobianco também ressaltou a importância da parceria firmada com o governo para a gestão compartilhada dos problemas ambientais. "Essa é a única forma de fazer o processo avançar. 0 governo Lula entende que o aumento da responsabilidade dos atores locais implica nessa transferência de gestão", analisou.
O secretário, que representou a ministra Marina Silva, disse que a União também pretende criar unidades de conservação em áreas vizinhas as criadas pelo Estado. Serão, pelo menos, mais duas áreas, um Parque Nacional no Mato Grosso e o Parque de Campos Amazonenses, em Manicoré.
Destaque
O mosaico de unidades de conservação criado ontem no Estado vai ocupar uma área de 3 milhões de hectares, o que equivale a 20% do território do Acre. A região é formada por florestas de terra firme, igapós, manchas de cerrado e já sofre com a depredação ambiental.
Medida é bem aceita
A criação do mosaico de unidades de conservação na região Sul do Amazonas agradou as organizações não-governamentais que atuam na região, pois dessa vez o poder público teve o cuidado de não fecharas áreas em unidades que sequer podem ser habitadas, como foi o caso do Parque Nacional do Jaú, em Barcelos. "Só de terem o bom senso de não retirar o ribeirinho já é uma vantagem", diz a secretária-geral do Grupo de Trabalho Amazônico, Sila Queiroz.
Vice-presidente da ONG Conservation International, José Maria Cardoso disse que as novas unidades de conservação representam a ação mais efetiva já tomada nos últimos anos para conter a expansão da fronteira de desmatamento no Amazonas.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, Virgílio Viana, destacou os ganhos sociais da medida. "Os benefícios serão imensos ao combatermos a grilagem e o desmatamento de uma região de importância estratégica para o Amazonas", disse.
Responsável pela fiscalização das novas áreas, o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Lúcio Rabelo, lembra que essa foi uma medida preventiva, pois o nível de desmatamento na região ainda é pequeno.
A Crítica, 18/12/2004, p. C4
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