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Estado do Amazonas ganha nove novas areas de protecao ambiental

O Globo, Ciencia, p.38
17 de Dez de 2004

Estado do Amazonas ganha nove novas áreas de proteção ambiental
Roberta Jansen
O governo do Amazonas anunciou ontem a criação de nove novas unidades de conservação ambiental no sul do estado com o objetivo de conter o desmatamento da floresta na região. O anúncio foi feito uma semana depois de o Brasil divulgar seu inventário de emissões de gases-estufa, mostrando que o país está entre os dez maiores poluidores do mundo e que 75% do dióxido de carbono (CO2) lançado na atmosfera são provenientes da destruição de florestas, sobretudo na Amazônia.
— Estamos criando unidades de conservação numa área extremamente crítica, a divisa com Mato Grosso, onde a pressão do desmatamento é enorme — explicou o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Virgílio Viana. — Isso faz parte do nosso programa de governo de identificar áreas prioritárias de conservação.
As nove áreas totalizam 3.070.058 hectares nos municípios de Apuí e Manicoré. Duas das áreas são de proteção integral, mas as outras são voltadas para o desenvolvimento sustentável da região. Enquanto as áreas dos dois parques estaduais ficarão restritas a pesquisa, ecoturismo e outras atividades de baixo impacto ambiental, nas demais será apoiado o manejo sustentável de madeira e outros produtos da floresta. O projeto conta com US$ 4 milhões provenientes da cooperação internacional.
— A idéia é conservar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, dar melhores condições de vida à população local, que tem um índice de desenvolvimento humano muito baixo — afirmou José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente de ciência da ONG ambientalista Conservação Internacional, que apóia o projeto.
Região seria uma das mais ricas em biodiversidade
As áreas estão estrategicamente localizadas no chamado arco do desmatamento, onde a destruição da floresta mais avança.
— Existe uma lógica econômica para o desmatamento — analisou Viana. — Com a criação das unidades, quebramos essa lógica porque as pessoas entendem que não adianta grilar porque a especulação financeira não pode prosperar em áreas do governo.
De acordo com o especialista da Conservação Internacional, a área é uma das mais ricas em biodiversidade:
— Acreditamos que existam ali de 400 a 500 espécies de aves, um recorde mundial. Estimamos que seriam 12 espécies de primatas, além de diversas espécies novas de peixes — enumerou Silva. — Possivelmente é um dos setores mais ricos em biodiversidade do estado.
Além da Conservação Internacional, apóiam o projeto o Ministério do Meio Ambiente, a Fundação Gordon & Betty Moore e o WWF-Brasil.

Marina Silva promete mais preservação
Janaína Figueiredo
Correspondente
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aproveitou sua participação na 10 Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP-10, ontem, para defender o esforço realizado pelo governo Lula no combate ao desmatamento das florestas brasileiras.
— Até o fim deste ano esperamos alcançar nove milhões de hectares em unidades de conservação. Nos primeiros dois anos do governo passado não foi criada sequer uma unidade — assegurou a ministra, que negou a intenção do governo Lula de estabelecer metas para a redução das queimadas na Amazônia.
Marina Silva lembrou ainda que, no início do governo Lula, o ritmo do desmatamento estava crescendo 28% ao ano.
— De 2002 para 2003 conseguimos estacionar em só 2%. Este ano a situação deve ser semelhante a de 2003 — disse, afirmando que espera reverter a situação em 2005.

O Globo, 17/12/2004, p. 38

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