O Globo, Ciência, p. 40
19 de Dez de 2008
Espião do clima
Satélite vai revelar maiores emissões de CO2
A Nasa faz os últimos acertos para o lançamento de um satélite que vai mapear, pela primeira vez, a distribuição do CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. Batizado de Observatório de Carbono em Órbita, ele vai apontar os principais locais na atmosfera onde o CO2 é emitido e absorvido.
Esse tipo de informação, considerada estratégica, vai dar aos EUA dados privilegiados para o combate ao aquecimento global, considerado um tema de segurança nacional pelo presidente eleito, Barack Obama.
- Vai ser o primeiro satélite construído exclusivamente para fazer um mapeamento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera - afirmou David Crisp, um dos diretores do projeto.
O CO2 proveniente de atividades humanas é o principal agente causador das mudanças climáticas associadas ao aquecimento global, mas importantes dados sobre a sua circulação na atmosfera ainda permanecem obscuros. Com o satélite, que vai ser lançado em fevereiro, a Nasa pretende solucionar alguns desses mistérios.
- O objetivo do satélite é fazer medições precisas que possam indicar onde estão as principais fontes de emissão e absorção de CO2 - explicou Crisp.
A Nasa já tem um satélite, capaz de detectar o CO2 na atmosfera, o Aqua, mas ele observa o CO2 a uma altura entre cinco e dez quilômetros acima da superfície
Mais informações sobre sorvedouros
O novo satélite vai detalhar a concentração de CO2 próximo à superfície, onde o efeito do aquecimento é mais sentido. Seus relatórios quinzenais vão ajudar os pesquisadores a saber onde os gases entram na atmosfera e onde são absorvidos. Os cientistas calculam que a natureza faça circular na atmosfera cerca de 330 bilhões de toneladas de carbono por ano. As atividades humanas contribuem com cerca de 7,3 bilhões de toneladas de CO2, um valor pequeno na comparação, mas o suficiente para abalar o equilíbrio do sistema e elevar a temperatura do planeta.
- Mas há outros elementos em questão, como as queimadas e a derrubada das florestas - disse Crisp. - E nós não temos uma boa avaliação da quantidade de CO2 liberada por esses processos.
Os sorvedouros de CO2 também apresentam alguns enigmas. Sabe-se que a Terra absorve cerca de 50% do CO2 que liberamos na atmosfera, a maioria indo parar nos oceanos.
Mas os demais sorvedouros ainda são pouco conhecidos. Por causa disso, os pesquisadores têm um conhecimento limitado sobre como eles podem se portar num quadro de mudanças climáticas.
- Digamos que as florestas boreais do Canadá e da Sibéria se revelem grandes sorvedouros primários de CO2 - explicou Crisp.
- Esses ambientes estão mudando dramaticamente. Eles vão continuar sendo grandes sorvedouros? Não sabemos ainda o impacto do aquecimento nesses lugares
O Globo, 19/12/2008, Ciência, p. 40
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