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Especialistas veem risco remoto de racionamento

OESP, Economia, p. B3
10 de Jan de 2013

Especialistas veem risco remoto de racionamento
País está mais bem preparado do que em 2001, segundo eles, por causa das térmicas e do reforço nas linhas de transmissão

Renée Pereira

Embora o nível dos reservatórios esteja em níveis semelhantes aos de 2001, o País deverá escapar de um novo racionamento este ano. A diferença de agora é a participação das térmicas na matriz elétrica brasileira, que no começo da década era praticamente nula. A experiência passada também ensinou o País a reforçar o sistema de transmissão, possibilitando maior intercâmbio entre as regiões. Nada disso, no entanto, substituía dependência pelas chuvas.
Apesar de o governo garantir que não haverá racionamento, especialistas são mais cautelosos. Analistas do JP Morgan, por exemplo, acreditam que há 10% de chance de o Brasil sofrer um novo racionamento. "O risco é limitado (por causa de todas as melhorias promovidas no sistema), mas não é insignificante", observa relatório da instituição.
A coordenadora do Núcleo de Energia do FGV incompany, Gorete Pereira Paulo, também elogia os avanços ocorridos no sistema interligado nacional. "Há evidências de que não devemos chegar a uma situação de racionamento. Temos mais térmicas e o sistema de transmissão é mais robusto. Mas isso não elimina o fato de que os reservatórios precisam ser monitorados com cuidado."
Ontem, após reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afastou os risco de o País ter um problema de desabastecimento e disse que os reservatórios vão se recuperar até o fim do período úmido. Até agora, porém, o nível dos lagos não reagiu e continua em queda.
"Essa história de que a chuva está vindo me preocupa", afirma o diretor-superintendente da Cosili Consultoria e Participações, Silvio Areco, ex-diretor da Cesp. Na avaliação dele, os reservatórios só estão em situação semelhante à de 2001 porque há uma quantidade maior de termoelétricas em funcionamento.
"Se não houvesse geração térmica, estariam num nível bem abaixo de 2001."
O diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pingueli Rosa, acredita que as termoelétricas deveriam ter sido acionadas há mais tempo e não apenas no fim de outubro.
"Eles deveriam ter antecipado a entrada em operação das usinas para julho. Assim, a situação estaria mais cômoda." Para o professor, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) contou com a chuva que não veio."Isso é um jogo, uma aposta."
Linhas. Outro avanço do sistema nacional foi a expansão do sistema de transmissão. Hoje se uma região está com problemas nos reservatórios, outros Estados podem transferir energia para ajudar no abastecimento local. Em2001, o Sul do País tinha água abundante nos reservatórios e não pôde evitar o racionamento no Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste por falta de capacidade das linhas de transmissão.
"A expansão da transmissão dá caminhos e alternativas para operar o sistema", diz Areco.

OESP, 10/01/2013, Economia, p. B3

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