O Liberal-Belém-PA
10 de Ago de 2005
A construção de hidrelétricas na Amazônia, principalmente no Pará, é um empreendimento arriscado para o meio ambiente e para as populações urbanas, rurais e comunidades indígenas. Uma dessas usinas, a de Kararaô, rebatizada Belo Monte, não teria viabilidade energética e provocaria impactos ambientais catastróficos, afetando comunidades indígenas e ribeirinhas, bairros da cidade de Altamira, e áreas rurais ao longo da rodovia transamazônica.
Esta é a conclusão de vários estudos sobre o assunto e que agora foram reunidos em um livro com lançamento previsto para amanhã, em São Paulo.
"Tenotã-Mo: Alertas sobre as conseqüências dos projetos hidrelétricos no rio Xingu", é uma coletânea de artigos de especialistas de diversas áreas sobre a anunciada construção, pelo governo federal, de hidrelétricas ao longo do rio Xingu.
Em julho passado, o Congresso Nacional aprovou um projeto de decreto legislativo para a construção da usina de Belo Monte. Mas, para a obra começar, será primeiro necessário a manifestação da Justiça Federal, onde tramita um processo de interesse do Ministério Público Federal, que alega não ter a Eletronorte, responsável pela obra, feito o estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental, o EIA-Rima cuja competência seria do Ibama. Quem fez os estudos foi a Fadesp.
As cinco usinas previstas para o Xingu, segundo o livro, poderão provocar o alagamento de uma área de 20.000 km2 de uma região onde predominam florestas, incluindo trechos de 10 terras indígenas homologadas e algumas demarcadas. O tamanho da área a ser alagada equivale a 27 vezes a cidade de Belém.
O professor Osvaldo Sevá Filho, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp ajudou a elaborar a coletânea do livro. E dele também participam ambientalistas e representantes de organizações sociais, como Fase, ISA, Comissão Pró-Indio, além de movimentos da Transamazônica.
Custos - Segundo Sevá, Belo Monte, por exemplo, não passa de um "equívoco". E explica que as simulações feitas com base nos registros históricos de vazão, apontam que a potência assegurada pela usina de Belo Monte, se estiver funcionando sozinha no rio Xingu, seria no máximo de 1.356 MW, por causa das baixas vazões do rio nos meses do verão amazônico, de julho a novembro.
O projeto da Eletronorte previa instalar 11.000 Megawatts (MW), em Belo Monte, e o inventário feito pela Cnec Engenharia em 1980 previa mais 11.370 MW em outras cinco usinas. Para Sevá, o plano do governo sempre foi o aproveitamento integral do rio Xingu. "Os impactos gerais e os custos, porém, são altíssimos, por isso falam apenas na primeira obra".
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