A Crítica - http://acritica.uol.com.br
Autor: Elaíze Farias
16 de Jan de 2011
Dejetos do sistema de esgoto da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste, estão destruindo um dos principais igarapés (curso d´água) de Manaus, o Castanheira.
O despejo do esgoto acontece há mais de 10 anos, desde quando o presídio foi construído, mas a falta de um sistema de tratamento agravou ainda mais o dano ambiental e social, segundo relatos de moradores da Comunidade do Igarapé Castanheira, onde vivem 35 famílias.
Nos últimos anos, os resíduos do esgoto também alcançaram o Lago do Aleixo e, segundo o médico e membro do movimento SOS Encontro das Águas, Menabarreto Segadilha, podem chegar até o rio Negro.
A agricultora Maria de Fátima Martins, 58, representante da comunidade, diz que a poluição do igarapé fez com que os moradores deixassem de tomar banho e de pescar no local. Outro problema é o mau cheiro.
"Antigamente a gente ainda usava o igarapé Castanheira. Agora, se alguém toma banho, fica cheio de coceira. A água está ficando amarelada. Se isso for parar no rio Negro pode dar uma contaminação para toda a população da Zona Leste", contou Maria de Fátima.
A agricultora afirmou que várias denúncias já foram feitas nos últimos anos e tentativas de diálogo com diretores do presídio foram realizadas, sem sucesso. "Entra diretor, sai diretor, e nada muda", conta.
O educador Valter Calheiros, que também faz parte do SOS Encontro das Águas, disse que sempre se soube que os dejetos eram provenientes da caixa de esgoto do presídio, mas no final do ano passado, com a seca recorde, foi possível visualizar o momento em que os resíduos desaguavam no igarapé.
"Quando está cheio, fica difícil de ver essa cena. Com o igarapé seco, a gente conseguiu ver a boca do esgoto e aquele caldo grosso descendo e causando mau cheiro. Depois de uma rebelião no presídio, e a limpeza parece ser mais profunda, chega a descer uma espuma grossa no igarapé", disse Calheiros.
Denúncia
O médico Menabarreto Segadilha diz que, na época da construção da UPP, ele chegou a questionar o governo do Estado sobre a forma como o sistema de esgoto foi construído e instalado.
"Eu conversei com a direção da época, mas me disseram que seria construído um tratamento de esgoto. Porém nunca houve um procedimento para melhorar a situação", contou.
Conforme Segadilha, os moradores da comunidade e dos bairros próximos ao igarapé estão se contaminando não apenas com os dejetos, mas com metais pesados como chumbo e ferro.
Ou seja, a médio prazo as pessoas podem ter problemas de parasitoses intestinais, mas a médio e longo prazo, podem sofrer de problemas neurológicos, renais e câncer.
Segadilha alertou para a necessidade de se tomar uma medida rápida e efetiva porque, lembrou ele, os resíduos, ao alcançar o rio Negro, podem causar problemas aos consumidores da Estação de Tratamento de Água. A obra que está sendo construída pelo governo do Estado à margem do rio Negro.
Conforme o médico os poluentes de esgoto despejados no igarapé da Castanheira não vêm apenas do presídio, mas de outros prédios públicos que funcionam nas imediações, como o Hospital Geraldo da Rocha.
Assessorias
A assessoria de imprensa da A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), responsável pelos presídios, foi procurada pelo acrítica.com e informou que o órgão se manifestaria nesta segunda-feira sobre o assunto. Hoje (18) a secretaria emitiu nota em que informa que fará mudanças no sistema de esgoto do local.
A Secretaria Estadual de Comunicação sugeriu que a reportagem também procurasse o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), responsável pela liberação das licenças ambientais das obras, mas a assessoria deste não atendeu às ligações feitas ao celular.
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