CB, Brasil, p. 21
08 de Abr de 2004
Esforço para salvar floresta amazônica
Governo anuncia a transformação de 13 milhões de hectares em unidades de conservação ambiental. Também serão abertas delegacias especializadas e bases de fiscalização para impedir o desmatamento na região
Renata Giraldi
Da Equipe do Correio
Alvo histórico de desmatamento, a região amazônica inspirou o governo a tomar medidas urgentes de preservação, depois de constatar que 23.750 quilômetros quadrados de floresta foram destruídos apenas no ano passado. O índice foi menor do que o estimado por especialistas. Mas, ainda assim, ficou acima da área de 23.266 km2 devastada em 2002. O desafio, agora, é reduzir esses números.
Diante dos dados, os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciaram ontem a transformação de 13 milhões de hectares em unidades de conservação ambiental. Disseram, também, que serão abertas 19 bases de fiscalização e 27 delegacias especializadas nos nove estados amazônicos.
''As taxas são muito elevadas e, evidentemente, intoleráveis'', disse Dirceu, ao comentar o diagnóstico realizado por órgãos do governo e organizações não-governamentais sobre o desmatamento da Amazônia. ''Vamos começar o trabalho ainda este mês'', prometeu. ''Pela primeira vez na história do país se tem uma ação de governo, e não do ministério'', comemorou Marina Silva, referindo-se à ação que envolverá 11 ministérios.
Apesar do entusiasmo, a ministra não esconde o constrangimento do governo em ter de admitir que os dados são alarmantes. ''Temos uma longa história em que os países em desenvolvimento sofrem pressão da comunidade internacional. Mas o maior constrangimento é interno'', disse.
Os focos da devastação
O índice de desmatamento da Amazônia foi levantado a partir da análise de 77 imagens aéreas das regiões mais críticas de desmatamento. Dos nove estados e 25 municípios mais afetados, a situação considerada mais alarmante é a do Mato Grosso, com 10.416 km2 de áreas devastadas. Depois, vêm Pará, Rondônia, Amazonas, Acre, Roraima, Maranhão, Tocantins e, por fim, o Amapá com 4 km2 de desmatamento. ''A situação ainda é gravíssima'', diz o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco.
As áreas indígenas e as regiões de fronteira são os principais focos da devastação, que envolve uma série de fatores, essencialmente grilagem de terra e atividades agropecuárias. Segundo especialistas, situações como essas ocorrem em São Félix do Xingu, no Pará, que até 2003 perdeu 14% de florestas. Nas áreas indígenas, há casos em que as reservas funcionam como barreiras para a devastação.
Especialistas constataram também que na área desmatada pode ocorrer trabalho escravo e tráfico de drogas. A descoberta levou o governo a determinar que daqui para a frente a fiscalização passe a reunir policiais federais e rodoviários, além de inspetores dos ministérios da Reforma Agrária, do Meio Ambiente e da Defesa. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, 13 órgãos federais estarão envolvidos nas operações.
Helicópteros
Caberá ao Ministério da Defesa o suporte logístico para os fiscais, por meio do empréstimo de helicópteros. Um dos objetivos será auxiliar no trabalho de fiscalização feito pelas 19 bases e 27 delegacias especializadas em meio ambiente localizadas nas áreas com maior risco de desmatamento. ''A fiscalização será mais eficiente'', diz Capobianco.
O secretário destacou que outra preocupação do governo é com o crescimento do número de estradas ilegais na região Amazônica. Apenas no sudoeste do Pará foram constatados 23 mil quilômetros de pistas clandestinas. Segundo especialistas, isso ocorre em toda a região. Esses caminhos são utilizados para transportar madeira. No mês passado, foi lançado um plano de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. (RG)
CB, 08/04/2004, Brasil, p. 21
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