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Escolas indígenas de MT são incompatíveis e "não é para índio"

24 Horas News-Cuiabá-MT
Autor: Edilson Almeida
24 de Abr de 2005

O sistema de ensino oficial é incompatível com as diferentes realidades indígenas. Ou seja: a escola não é para índio, é uma escola indígena. A definição consta da dissertação da índia paresi, Francisca Novantino Pinto de Ângelo, ao receber o título de mestre no Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A dissertação foi apresentada no dia 19 de abril - data em que se comemora no Brasil o Dia do Índio. Francisa teve na sua banca, além do seu orientador, professor Darci Secchi, os professores Carlos Jamil Cury, Maria Lúcia Rodrigues Müller e Elias Renato da Silva Januário.

Segunda índia a conseguir o título de mestre - a primeira foi Darlene Taukane -, Francisca mostrou em seu trabalho que as escolas indígenas em Mato Grosso são mal assistidas, não têm orientação pedagógica adequada e são enquadradas no mesmo estatuto das escolas urbanas. Sob o título ´´O processo de inclusão das escolas indígenas no sistema oficial de ensino em Mato Grosso: Protagonismo Indígena´´, a dissertação aborda questões relevantes para a política de educação escolar indígena na atualidade.

Francisca Novantino observou na sua dissertação que a presença de povos indígenas na academia, ou a conquista da intelectualização, tem sua importância no fato de que ´´o conhecimento é um instrumento de poder e de resistência´´. A defesa da tese, segundo ela, é ´´muito importante por marcar a nossa presença na academia´´. A questão do protagonismo foi tratada enquanto atitude de rompimento da tutela, da submissão e do paternalismo, e enquanto exercício concreto desse papel num cenário determinado dessas relações.

Uma platéia composta por representantes de diversas instituições públicas, educacionais e indigenistas do Brasil lotou o auditório do IE para a assistir a defesa de Francisca, feita oralmente, sem textos escritos, conforme a cultura indígena, usando apenas o recurso da fotografia.

Líder indígena de ampla representatividade, Francisca foi definida pelo ex-presidente da Capes e atual consultor do CNPq, Jamil Cury, como uma ponte entre duas culturas: a ocidental típica e a cultura nativa, aborígena. O professor indígena, segundo ele, é um articulador entre dois mundos, onde a alteridade não é próxima, mas distante.

A dissertação de Francisca Novantino foi aprovada com distinção e recomendada para publicação.

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