O Globo, Ciência e Vida, p. 29
12 de Out de 2005
A era dos refugiados ambientais
Catástrofes naturais e degradação afetarão 50 milhões em cinco anos
O mundo terá pelo menos 50 milhões de refugiados ambientais dentro de cinco anos, de acordo com estudo apresentado por especialistas da Universidade das Nações Unidas. Os cientistas acreditam que a degradação ambiental é tão determinante para o surgimento de refugiados quanto crises políticas e sociais. O estudo foi apresentado ontem, Dia da Redução de Desastres.
- Há muitos aspectos ambientais envolvidos que podem interagir - afirmou Janos Bogardi, diretor do Instituto de Meio Ambiente e Segurança Humana da Universidade da ONU. - Em áreas rurais muito pobres especialmente, a degradação da terra e a desertificação são as maiores responsáveis pelo surgimento de refugiados. Isso acontece pelo mau uso da terra somado às mudanças climáticas e amplificado pelo crescimento populacional.
ONU quer rever definição de refugiado
As enchentes são um outro grave problema, agravadas, segundo Bogardi, pelos crescentes níveis de dióxido de carbono na atmosfera. O número de 50 milhões decorre de outros estudos, entre eles o Relatório Mundial de Desastres, lançado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 1999.
O estudo mostrava que os desastres naturais registrados em 1988 haviam provocado o surgimento de um número maior de refugiados do que as guerras e conflitos armados que ocorreram no mesmo ano. Ele apontava que a queda na fertilidade dos solos, secas, enchentes e desflorestamento fizeram com que 25 milhões de pessoas deixassem suas casas. Muitos desses refugiados ambientais seguiram para cidades, se juntando a comunidades urbanas igualmente frágeis.
Os especialistas da ONU defendem que os refugiados ambientais recebam mais proteção. Para isso, dizem, é preciso estabelecer o próprio conceito de refugiado ambiental.
A Convenção de 1951 define como refugiados pessoas "perseguidas por razões de raça, religião e nacionalidade ou por pertencer a um determinado grupo social ou manifestar determinadas opiniões políticas". Segundo a ONU, é preciso definir o refugiado ambiental.
Outro problema é que, historicamente, as pessoas são consideradas refugiadas apenas quando vão para outros países. No entanto, catástrofes recentes como a do furacão Katrina mostraram que os desabrigados por danos ambientais tendem a ficar em seus próprios países.
O Globo, 12/10/2005, Ciência e Vida, p. 29
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