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28 de Jan de 2026
Área regularizada no âmbito da ACO no 3.555 integra processo de reparação pelos impactos da Usina de Itaipu; primeiras famílias começaram a ser assentadas em agosto de 2025.
A equipe da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) no Paraná, acompanhada da coordenação regional, realizou uma visita à aldeia Ara Poty Mirim, no município de Missal (PR), território recentemente regularizado para o usufruto exclusivo da comunidade indígena Avá-Guarani. A agenda teve como foco o acompanhamento da implementação do território e o diálogo direto com as famílias sobre os próximos passos para a consolidação da vida comunitária no novo espaço.
A área, com 208 hectares, foi adquirida com recursos da Itaipu Binacional como parte do processo de reparação determinado na Ação Cível Originária (ACO) no 3.555, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e trata dos impactos causados pela construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu sobre os povos indígenas da região. Outras áreas já foram regularizadas na região Oeste do Paraná como parte desse processo e as primeiras famílias Avá-Guarani começaram a ser assentadas em agosto de 2025, marcando um momento histórico no cumprimento das medidas de reparação territorial.
Durante a visita, a equipe da CGY se reuniu com a comunidade para dialogar sobre as etapas já concluídas do processo de regularização e sobre os desafios que ainda se colocam para garantir a sustentabilidade do território, incluindo infraestrutura, produção e fortalecimento do modo de vida tradicional. A presença da CGY buscou também ouvir as demandas locais e acompanhar de perto a adaptação das famílias ao novo espaço.
Para Ana Caroline Magnoni, assessora jurídica da CGY que acompanha o caso, a visita integra o monitoramento das obrigações estabelecidas no âmbito da ACO no 3.555, ressaltando que a regularização da área representa um avanço importante, mas que a reparação aos Avá-Guarani deve ser contínua e integral, considerando as dimensões territoriais, culturais e sociais historicamente violadas.
A visita revelou um cenário de esperança e recomeço. As crianças indígenas, com sorrisos largos, aproveitam o espaço amplo para brincadeiras e o banho no rio, atividades que fazem parte do modo de vida tradicional Guarani, mas que haviam sido severamente impactadas em decorrência das violências causadas pela construção de Itaipu.
O acompanhamento da CGY à comunidade da aldeia Ara Poty Mirim reafirma o compromisso com a efetivação dos direitos indígenas conquistados judicialmente. Mais do que a destinação de hectares, o processo de reparação busca garantir condições para que as famílias Avá-Guarani possam retomar suas práticas culturais, fortalecer sua relação com a terra e transmitir seus conhecimentos tradicionais às novas gerações.
Esse processo se insere em um contexto mais amplo de reconhecimento das violações cometidas pelo Estado brasileiro e pela Itaipu Binacional contra o povo Avá-Guarani. Para compreender esse histórico de violações, o acordo firmado e os desdobramentos da Ação Cível Originária no 3.555, confira a reportagem: "O que queremos não são apenas desculpas": após reconhecimento de violações por Itaipu e Estado brasileiro, Avá-Guarani intensificam luta por demarcação integral".
https://www.yvyrupa.org.br/2026/01/28/equipe-da-cgy-visita-aldeia-ava-g…
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