Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LUIZ VALÉRIO
23 de Jan de 2004
As entidades indígenas Arikom (Associação Regional Indígena dos rios Kinô, Contingo e Monte Roraima), Alidcir (Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima) e Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios do Norte de Roraima) vão aproveitar a vinda do Grupo de Trabalho Interministerial ao Estado, hoje, para entregar uma proposta de demarcação da Raposa/Serra do Sol em sete grandes ilhas, preservando o Município de Uiramutã, as vilas, as estradas e as áreas de produção de arroz.
A proposta elaborada pelo tuxaua Gilberto Macuxi, presidente da Arikom será encaminhada às autoridades federais, estaduais e municipais. "Essa é um proposta feitas pelos indígenas, que sabem o que é melhor para sua vida", frisou Gilberto Macuxi. A proposição nasceu a partir de uma assembléia de tuxauas das comunidades indígenas contrárias à homologação da reserva em área única.
No documento que será entregue hoje aos membros do GTI, Gilberto Macuxi diz que "o objetivo principal dessa comissão é lutar pelo interesse das comunidades indígenas e do Estado para uma união, entendimento, desenvolvimento, progresso e independência econômica das comunidades que vivem na área da Raposa/Serra do Sol". Além da demarcação da Raposa/Serra do Sol em sete ilhas de grande extensão, a proposta fala ainda no assentamento das comunidades indígenas.
O documento, que submetido ao conselho de tuxauas defende ainda a demarcação em bloco das áreas de produção de arroz que estão nas margens dos rios Surumu, Tacutu, Cotingo e Maú dentro da reserva indígena. Quer ainda a permanência do Exército dentro da reserva. A proposta afirma que os produtores de arroz "estão produzindo efetivamente e criando trabalho, renda, emprego e capacitação para as comunidades indígenas e não-indígenas" que vivem na região.
Ao apresentar a proposta ontem à Folha , Gilberto Macuxi disse que o objetivo das entidades indígenas é lutar por uma demarcação da área pretendida que seja justa sem conflito, guerra ou derramamento de sangue. Ele chama a atenção do Governo Federal para a situação "precária" das comunidades indígenas que vivem na região e que, segundo ele, pode se agravar com uma demarcação em área única.
"Nós, indígenas, não aceitamos que os padres, madres, ONGs (Organizações Não-Governamentais) estrangeiras e outros denigram a nossa imagem e o desenvolvimento do Estado de Roraima", afirma o líder indígena, acrescentando que as entidades indígenas que subscrevem a proposta não aceitam que essas entidades e instituições interfiram nas questões fundiárias e em qualquer tipo de projeto voltado para os índios", diz o texto do documento elaborado por Gilberto Macuxi.
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