Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Rebeca Lopes
06 de Fev de 2006
As primeiras visitas das equipes que integram a Organização dos Indígenas da Cidade (ODIC), responsáveis por levantar dados para o Censo Indígena 2006, confirmaram que a situação é mais grave do que o imaginado. São famílias que saíram de suas comunidades com destino à Capital em busca de uma vida melhor, mas que vivem numa situação muito complicada.
Conforme explicou o coordenador da ODIC, Eliandro Pedro de Sousa, as primeiras visitas foram realizadas no sábado passado, 28. Das cinco visitas realizadas, duas famílias foram entrevistas para o censo, que tem como objetivo descobrir como estão vivendo os povos indígenas na cidade, a situação e risco social que se encontram. "Chegamos à conclusão que estão numa situação mais grave do que pensávamos", disse.
Em um dos casos, a família com seis pessoas morando numa casa medindo cerca de 5 x 7 metros, duas crianças apenas tinham acesso à escola, e as demais, embora tivessem idade, não estavam matriculadas. A equipe encontrou uma menina de 12 anos que nunca freqüentou uma sala de aula.
Segundo ele, houve o caso de uma criança que além de ser deficiente do braço, não tem acesso a nenhum benefício, como o Bolsa Família. "Para ter direito a receber [o benefício] tem que estar na escola, e como estão fora não têm direito a nada", lamentou o coordenador.
Além de estarem excluídos de projetos e programas sociais dos governos estadual e municipal, muitas vezes a única renda declarada vem das diárias de capina em quintais da cidade. Eliandro disse que quando chegou no quesito sobre alimentação, para saber se era adequada, uma família respondeu que "às vezes tem e às vezes não tem o que comer".
Ao final da pesquisa com essa família, ele disse que a mãe chegou a perguntar se a equipe não poderia ajudar com rancho. Como o trabalho conta apenas com a participação de 25 jovens que integram a ODIC, sem ajuda de nenhuma instituição pública ou privada, Eliandro frisou ter ficado com as mãos atadas, sem poder ajudar.
"Pelo menos eu falei que o nosso objetivo é mostrar a realidade e reivindicar projetos sociais voltados para população indígena que mora na cidade", afirmou, enfatizando que esse é outro objetivo da pesquisa, classificada por ele como sendo a primeira a se aprofundar nessas questões.
Ressaltou que a vantagem do grupo é que os pesquisadores são indígenas. Citou exemplo que na pesquisa do final de semana, encontrou uma senhora que não falava português, e foi necessário ele fazer a entrevista na sua língua de origem. "Foi bem interessante, pois ela se sentiu mais à vontade", disse.
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