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Autor: Manuel Messias Mendes Almeida
14 de Jan de 2016
A Globo tem há anos a exclusividade na transmissão do carnaval carioca. Só perdeu a primazia no início dos anos 80, mais precisamente em 1983, quando o então governador do Rio Leonel Brizola e seu secretário de Educação e Cultura, Darcy Ribeiro, o idealizador do sambódromo, denunciaram a existência de um boicote ao desfile das escolas de samba na Sapucaí, pela toda poderosa. Foi aí que Brizola e Darcy recorreram à Rede Manchete, que passou a transmitir o carnaval, mas com audiência fraca e limitações técnicas consideráveis.
Mas depois Globo e governo estadual acabaram se acertando e as transmissões voltaram. Este ano tudo continuará normal, mas haverá um fato que pode levar a Globo a lançar mão de um boicote pontual. Não duvidem, não, mas a toda poderosa fará tudo para não mostrar, exceto em flashs a Imperatriz Leopoldinense. Motivo: a escola traz como tema do seu desfile uma crítica pesada à política indigenista do atual governo e sobretudo à ação predatória do agronegócio contra os índios brasileiros. "Xingu, o clamor que vem da Floresta", vai balançar o coreto na Sapucaí, com o samba enredo que traz uma mensagem bem direta: "O belo monstro rouba as terras dos seus filhos / Devora as matas e seca os rios / Tanta riqueza que a cobiça destruiu". As alas da escola virão com críticas tão fortes quanto a letra do samba , em temas que vão dos "olhos da cobiça" a "Fazendeiros e seus agrotóxicos". O fundador da UDR, Ronaldo Caiado, já andou vociferando no Senado.
A Imperatriz Leopoldinense certamente levará o Brasil a refletir um pouco sobre o discurso do agronegócio como o setor responsável pela salvação da economia nacional. Claro que contribui, e muito, mas o agronegócio produz divisas para o setor , ao tempo em que graças à Lei Kandir, não recolhe ICMs para os estados sobre as exportações de suas Commodities, principalmente soja.
A Escola de samba vai mostrar certamente ao mundo, que quem realmente alimenta o povo brasileiro é a agricultura familiar, responsável direta pela grande massa da produção agrícola (70% dos alimentos que chegam à nossa mesa vem da agricultura familiar, que só ocupa 24% das terras férteis. Já imaginou se o país fizesse uma reforma agrária pra valer, quanto o país não produziria de comida? A reforma agrária andou a passos de tartaruga nos governos Lula e Dilma e agora com Temer, o caminhar é de caranguejo, ou seja, para trás.
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