Valor Econômico, Empresas, p. B2
01 de Ago de 2014
Energias do Brasil deve ficar fora de novos leilões
Por Claudia Facchini
De São Paulo
A Energias do Brasil (EdB), subsidiária brasileira do grupo português EDP, não pretende assumir novos projetos de geração por enquanto no país, o que significa que a empresa não deve disputar os próximos leilões promovidos pelo governo federal. "Nosso foco, neste momento, é executar os três empreendimentos que estamos construindo", afirmou ao Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, o presidente da companhia, Miguel Setas, que assumiu o cargo há cerca de seis meses. Sua prioridade será executar as obras dentro do prazos e do orçamento previstos.
A companhia responde pela construção três hidrelétricas na região Norte, nas quais é sócia do grupo chinês China Three Gorges (CTG). Santo Antônio do Jari, no Amapá, de 373 MW, deve custar R$ 1,3 bilhão e entra em operação em janeiro de 2015. A usina de Cachoeira Caldeirão, também no Amapá, de 219 MW, está orçada em R$ 1,1 bilhão e precisa ficar pronta em 2017. Mas a maior delas é a hidrelétrica de São Manoel, no Pará, de 700 MW, que deve estar concluída em 2018. O empreendimento, no qual a EdB é sócia da CTG e de Furnas, deve custar R$ 2,7 bilhões.
Neste momento, a empresa tenta acelerar as obras de Santo Antônio Jari para que a usina comece a gerar antes do prazo previsto. Se isso for ocorrer, a EdB venderá a energia no mercado de curto prazo, por preços elevados, até a entrada em vigor dos contratos. "É uma janela importante que se abre", diz Setas.
No começo deste ano, a EdB vendeu 50% de sua participação em Santo Antônio do Jari e Cachoeira Caldeirão para a CTG por R$ 420 milhões. O grupo chinês já é sócio da EDP em Portugal e a injeção de recursos foi oportuna para a subsidiária brasileira neste ano. Isso permitiu que a EdB acumulasse um lucro de R$ 283 milhões no primeiro semestre, 110% maior que o obtido em igual período do ano passado, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas no país.
O chineses salvaram o resultado. Mas isso não desmerece o desempenho, contesta Setas. "Fomos capazes de fazer a transação no momento em que a empresa precisava". A EdB também captou R$ 1 bilhão no mercado brasileiro, o que reforçou seu caixa. "Hoje, temos recursos para fazer face às necessidades de capital de giro e obrigações financeiras. Nosso caixa está equilibrado", disse Setas.
O executivo realiza na semana que vem, nos Estados Unidos, seu primeiro encontro com investidores americanos, em que vai apresentar os resultados do semestre e suas perspectivas para o futuro. Setas vai se reunir com mais de 20 instituições em Chicago, Boston e Nova York, que possuem uma parcela representativa das ações da EdB em circulação no mercado - e que equivalem a 49% do seu capital total.
O setor elétrico brasileiro encontra-se no olho do furacão, em meio a uma das piores crises hidrológicas da história. Isso depois de ter passado por um "terremoto" regulatório em 2012, quando Brasília impôs regras para a renovação das concessões mais espartanas que as esperadas pelo mercado.
Setas avalia, porém, que poderá transmitir aos investidores uma percepção positiva, mesmo com as turbulências. A maior delas agora é o déficit tarifário das distribuidoras, problema que se transformou numa bola de neve. "Mas a valorização de 13% das ações da EdB no segundo trimestre já mostra que houve uma inversão de expectativas em relação ao setor elétrico", diz. Segundo ele, o risco de racionamento deixou de existir desde junho, quando choveu bem, e o governo demonstrou que vai auxiliar as distribuidoras, como um novo pacote de R$ 6,5 bilhões.
A Escelsa e a Bandeirante, distribuidoras controladas pela EdB, receberam R$ 491 milhões no primeiro semestre dos fundos constituídos para socorrer o setor. Mas os recursos cobriram só 61% do déficit tarifário das companhias, afirmou Setas.
A Escelsa, do Espírito Santo, terá suas tarifas corrigidas no dia 07 de agosto e pediu um reajuste 27% à Agência Nacional de Energia Elétrica. A Bandeirante terá sua tarifa reajustada em outubro.
Valor Econômico, 01/08/2014, Empresas, p. B2
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