O Globo, Economia, p. 36
28 de Jun de 2008
Energia: redução de R$ 1,5 bi na conta com leilão
Governo vendeu concessão para 12 linhas de transmissão
Juliana Rangel
O leilão que concedeu a construção de 12 lotes de linhas de transmissão de energia, ontem, na Bolsa de Valores do Rio, vai permitir a conexão de diversas regiões isoladas ao Sistema Interligado Nacional e aliviar o bolso do consumidor. Atualmente, o custo mais alto para produzir energia térmica com óleo combustível para o Norte é cobrado na fatura de luz, por meio da Conta de Consumo de Combustível (CCC). Segundo o secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o ônus é de R$ 3 bilhões por ano.
Com a interligação ao sistema de Tucuruí, Macapá e Manaus -- um dos trechos leiloados -, a economia será de R$ 1,5 bilhão.
- Estávamos no ponto para fazer essa interligação. O mercado de Manaus equivale a alguma coisa como o Paraguai.
É mais que o estado de Mato Grosso do Sul. E a região estava queimando o óleo diesel (para produzir energia) - disse.
O trecho foi o segundo mais disputado e ficou com o grupo espanhol Isolux Ingeniería. Pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vencia quem se oferecesse para ter a menor receita anual. O teto era de R$ 98,52 milhões, e o grupo propôs R$ 74,3 milhões, deságio de 24,59%. A briga, decidida após 45 lances no pregão viva-voz, foi com o Consórcio Amazonas, formado por Eletronorte, Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), a espanhola Abengoa e o fundo de investimentos em participações Brasil Energia.
CTEEP propôs maior deságio, de 51,27%
A grande vencedora do leilão foi a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), que ficou com cinco lotes. A companhia também foi a que propôs o maior deságio, de 51,27%. Três dos lotes ficam em regiões de São Paulo.
- Não fosse por uma mudança no regulamento da Aneel, (esses lotes) deveriam já ter sido, no passado, dirigidos e concedidos diretamente à CTEEP para reforços e ampliações necessárias ao crescimento vegetativo do sistema - disse o presidente da empresa, Sidnei Martini.
A Chesf ficou com um lote na Bahia, e, por meio do consórcio Amazonas, levou um outro que suprirá o Amazonas. Mas foi por pouco: o grupo entregou a oferta segundos depois do prazo. Após recorrer e fazer com que a rodada fosse suspensa por cerca de 40 minutos, conseguiu que o leilão fosse refeito e venceu, propondo receita anual de R$ 101.607.568. A maior disputa envolveu 52 lances no pregão vivavoz: o lote que abastecerá Itaboraí e Cachoeiras de Macacu, no Rio. Quem levou foi a Elecnor, que disputou com o consórcio São Simão, liderado por Furnas.
Esse foi o maior leilão feito pela Aneel desde 1998 e resultará em investimentos de R$ 2,86 bilhões.
O Globo, 28/06/2008, Economia, p. 36
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