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Energia eólica cresce e busca mais investimento

O Globo, Amanhã, p. 28
21 de Mai de 2013

Energia eólica cresce e busca mais investimento
Executivos criticam falta de incentivo do governo, mas admitem que os recursos financeiros existem. Eles defendem diversificação da matriz energética

MARCELLO CORRÊA
marcello.correa@infoglobo.com.br

Desde que foi criada, em 1995, a Tecsis, empresa paulista especializada em pás eólicas, nunca esteve tão voltada para o próprio país. Apesar de ser baseada em Sorocaba, em São Paulo, a companhia sempre teve um perfil de exportação. Naquela época, as oportunidades na ârea de energia alternativa estavam fora do país, principalmente na Alemanha. Depois de 18 anos vivendo dos contratos assinados no exterior, a Tecsis hoje detém de 65% a 70% do mercado brasileiro e, na avaliação do presidente da empresa, Bento Koike, o país é identificado como um dos mercados mais promissores para o setor de eólicas nos próximos anos.

O alvo preferencial da Tecsis em território nacional é a Bahia. A empresa pretende instalar uma nova base em Camaçari, cidade do interior do estado, distante 41 quilômetros de Salvador.

- O pré-sal da eólica é na Bahia. Há uma jazida de ventos lá. Como o transporte de pás é complicado, vamos instalar uma planta na própria cidade. Serão inicialmente oito linhas, em um trabalho que envolverá cerca de 1.800 pessoas. A estimativa é que sejam gerados em torno de 1,2 gigawatts (GW) e 1,4 GW de energia a partir de 2014 - adianta Koike.

O Brasil tem aumentado a produção de energia eólica nos últimos anos. Segundo os dados mais recentes do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), houve crescimento de 75,2% no Brasil entre 2011 e 2012. Em todo o mundo, o aumento foi de 18,6%. Mas a participação das usinas de vento na geração da energia no país ainda é muito pequena.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o país produz pouco mais de 2 GW de energia eólica, 1,7% do total produzido em território nacional. Ao todo são 94 usinas em operação. Número modesto, diante da supremacia das hidrelétricas, que respondem por 64,14% da produção nacional, gerando mais de 84 GW.

Segundo Fernanda Westin, pesquisadora da Coppe/UFRJ, o cenário ideal é a diversificação das matrizes energéticas. Para a especialista em meio ambiente, o caminho é o da complementariedade:

- As hidrelétricas que estão sendo construídas na Região Norte funcionarão com fio d"água e não reservatórios. Isso significa que elas podem produzir muita energia durante o período das cheias dos rios e reduzir a geração na estiagem. Há estudos que mostram que os ventos são mais intensos no período de seca. Portanto, a energia eólica é um ótimo complemento.

A pesquisadora da Coppe afirma que a energia dos ventos é mais viável do que a solar. Apesar do ótimo clima, o Brasil ainda está longe de tornar a alternativa eólica economicamente viável.

- Temos a matéria-prima em abundância, que é o silício, mas ainda não há infraestrutura para produzir os painéis. Não há investimento no setor - destaca a especialista.

Para a energia eólica, por outro lado, não faltam recursos financeiros. Em 2012, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 3,4 bilhões em desembolsos para projetos na área, número 47,8% acima do montante desembolsado em 2011. A expectativa do banco é que, em 2013, o valor cresça 15%. Para Bento Koike, no entanto, ainda faltam incentivos governamentais para o setor.

- Precisamos olhar com atenção o que vem da parte governamental. A estratégia do governo de aumentar o potencial eólico em cerca de 2 GW por ano é acanhada - critica o presidente da Tecsis.

O Globo, 21/05/2013, Amanhã, p. 28

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