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Energia eólica atrai geradoras estatais

GM, Energia, p. A6
21 de Mai de 2004

Energia eólica atrai geradoras estatais

Chesf e Eletrosul querem usar parcerias no Proinfa como estratégia para desenvolver tecnologia. As estatais Chesf, maior geradora nacional, e Eletrosul, que está de volta ao mercado de geração, esperam obter, com suas parcerias com a iniciativa privada no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), know how em energia eólica para posterior investimento em projetos isolados. As duas empresas, além de Eletronorte e Furnas - todas controladas pela Eletrobrás -, estão na disputa pelos contratos de compra e venda dos 1,1 mil MW de eólica no Proinfa em parcerias minoritárias com empresas privadas. A Chesf prevê atuar em projetos com volume de 200 MW divididos meio a meio entre a francesa Siif Brasil - controlada em 50% pela estatal Eletricité de France (EDF) - e a espanhola Enerbrasil, da Iberdrola. A Eletrosul também prevê um volume entre 100 MW e 200 MW de eólica no Proinfa.

O diretor do departamento técnico de desenvolvimento de alternativas de geração da Chesf, Pedro Bezerra, diz que a empresa vai arcar com 49% nos projetos e a estratégia é participar ativamente de todas as etapas para adquirir expertise no segmento eólico. "O objetivo com a experiência é poder desenvolver parques eólicos próprios no futuro para aproveitar o potencial de geração eólica da região, que é o maior do País", afirma. Com a Siif, a empresa está na disputa em quatro projetos no Ceará, que totalizam 207,8 MW. Com a Enerbrasil a empresa concorre em dois projetos com capacidade de geração de 121,6 MW. Os grupos Iberdrola e Siif já operam em geração eólica na Europa e na América do Norte.

A Chesf já chegou a desenvolver um projeto-piloto de geração eólica com a Coelce, na época também estatal, em Mucuripe (CE), que foi repassado depois à iniciativa privada, foi remodelado e hoje é operado pela empresa Wobben Wind Power, de origem alemã. Segundo Bezerra, a experiência com a Coelce foi um projeto sem interesse comercial e serviu como aprendizado. De acordo com o executivo, a Chesf está na disputa dos contratos do Proinfa somente com projetos de geração eólica. "Nosso interesse é ter presença e participação para ter conhecimento desta tecnologia."

Via de mão dupla

A mesma estratégia foi apontada por Airton Silveira, assistente da direção da Eletrosul, como o objetivo da empresa ao definir sua participação também somente no segmento de energia eólica no Proinfa. Segundo ele, a empresa também prevê participação de até 49% nos projetos que tiverem os contratos aprovados no Proinfa. "A empresa precisa da tecnologia de geração eólica para melhorar sua atuação no mercado de energias renováveis, e podemos oferecer um amplo domínio em transmissão e em conexões à rede na região onde atuamos, o que faz da parceria uma via de mão dupla", afirma Silveira. A empresa não revelou quais são seus parceiros privados.

Esta contrapartida na parceria, além da solidez das estatais no mercado de geração e do baixo risco que oferecem para a obtenção de financiamentos, também é apresentada por Pedro Bezerra como uma vantagem para os parceiros privados e para justificar as propostas que receberam nas chamadas públicas da participação das estatais no Proinfa. Segundo Bezerra, a Chesf analisou cinco propostas antes de se definir pela Siif e pela Enerbrasil.

Para o presidente da Siif Brasil, Henri Baguenier, disputar contratos do Proinfa em parceria com Chesf e Furnas é considerado uma honra. "O grupo EDF tem uma longa tradição de cooperação com a Eletrobrás, e esta parceria será benéfica para todos, já que as estatais tem uma forte atuação e um grande parque de transmissão e de conexões", diz.

Segundo ele, a Siif não produz equipamentos de geração eólica e tem como estratégia as parcerias com empresas, públicas ou privadas, nos países onde atua. A empresa, diz, tem um volume atual de geração eólica de 500 MW, e a previsão é atingir 3 mil MW até 2008. Além dos quatro projetos disputados em parceria com a Chesf a Siif Brasil também concorre com um parque eólico no Rio de Janeiro com Furnas (135 MW) e um projeto em Maceió, onde disputa sozinha (235,8 MW).

GM, 21-23/05/2004, Energia, p. A6

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