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Encontro hoje sacramenta mudança da Funai de Bauru

Bom Dia Bauru
Autor: Fernando Zanelato
09 de Nov de 2007

A sede regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Estado de São Paulo, que funciona há 30 anos em Bauru, irá mesmo ser transferida para Santos.

A data ainda não está definida, mas a previsão é que até janeiro ou no mais tardar fevereiro a mudança seja, enfim, concretizada.

A sede regional é responsável por 37 aldeias no Estado de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, são cerca de 3,5 mil índios sob responsabilidade da fundação, inaugurada em Bauru em agosto de 1977.

Só na região, existem cerca de 1 mil índios espalhados em Avaí, Braúna e Arco-Íris.

Hoje, o administrador regional da Funai, Cristino Aparecido Cabreira Machado, tem um encontro marcado com o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), para tratar das últimas questões burocráticas como infra-estrutura para a nova sede.

Enquanto isso, os índios que vivem em Avaí aguardam uma solução para o impasse e pedem respeito à Funai.

"Em todo esse processo não fomos ouvidos uma única vez pela Funai. Exigimos respeito. Não somos animais que eles impõe e a gente é obrigado a aceitar", reclama o cacique Anildo Awá Rokajú, da aldeia Tereguá.

Sob sua responsabilidade vivem cerca de 600 índios. Mais da metade trabalha como bóia-fria catando laranja em propriedades particulares. A Funai, segundo Anildo, não tem um projeto de parcerias com as aldeias.

"Do jeito que está, a sede da Funai pode ficar aqui ou ir para Santos que não vai mudar nada. Queremos investimentos e projetos para trabalharmos juntos", diz ela, que particpou da invasão da regional em junho para forçar a troca de comando, o que ocorreu.

O chefe da sessão de atividades produtivas da Funai, Henrique Sérgio Bunger, contesta as afirmações do cacique. Segundo ele, os índios da região de Bauru, principalmente os de Avaí, vivem da agricultura, principalmente do cultivo da mandioca, batata doce e abobrinha.

"Hoje eles vendem seus produtos em supermercados, no Ceasa, geram renda, conseguem empréstimos", explica.

Para ele, o problema é que a estrutura da Funai como um todo diminuiu muito e "todos fazem o que podem para atender bem os índios."

Manter a cultura é objetivo
Funcionário da Funai desde 1968, Henrique Sérgio Bunger acompanha de perto as mudanças nas aldeias e, principalmente, no cotidiano dos índios.

"Nosso maior objetivo é fazer com que as novas gerações não se esqueçam das tradições indígenas", diz Sérgio, lembrando que hoje os jovens usam brincos, celulares, óculos de sol e a maioria das famílias tem televisão, antena parabólica.

"É claro que ter acesso a essa tecnologia é importante, mas existe uma preocupação muito grande a essência do índio", diz o funcionário da Funai, citando como exemplo a língua.

"Existe um projeto, que já estão sendo implantado, que é a alfabetização bilíngüe. Um povo sem língua própria perde identidade e por isso a Funai quer a preservação da língua indígena."

"Queremos que a essência cultura permaneça", completa Sérgio.

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