Home Page da Funasa - http://www.funasa.gov.br/
02 de Jun de 2009
A Coordenação Regional da Funasa em São Paulo (Core/SP), por meio da Assessoria de Saúde Indígena (Asin), participou, em São Sebastião, litoral paulista, da primeira etapa dos Encontros Interdisciplinares sobre Psicologia e Povos Indígenas. O evento foi promovido na última sexta-feira (29) pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP/SP) e contou com o apoio da Funasa e da Prefeitura Municipal de São Sebastião (PMSS).
O objetivo da discussão foi aproximar conhecimentos e práticas da psicologia com as questões da saúde indígena e seus agravos, em um diálogo interdisciplinar com as demais áreas do conhecimento envolvidas com o tema, como educação, ciências sociais, serviço social e antropologia. Ao final dos quatro encontros, todo o material será sistematizado em um caderno temático com as reflexões coletivas, que poderão ser referência de estudo a profissionais interessados no campo da saúde mental indígena.
Participaram do encontro mais de 50 pessoas, entre psicólogos, pedagogos, enfermeiros e estudantes que atuam em consultórios, prefeituras municipais, instituições de ensino e secretarias estaduais de Saúde localizadas nas cidades de Pindamonhangaba, Taubaté, Lorena, Santos, São José dos Campos, Registro, Pariquera-Açu, Campinas, Caraguá, Guarujá e na cidade sede do evento. Também compareceram lideranças indígenas e profissionais das equipes multidisciplinares de saúde indígena dos Polos-Base de Registro e Litoral Norte.
A mesa de abertura foi composta pelo coordenador de Saúde Mental da PMSS, Ubirajara Nascimento; cacique Renato da Silva, da aldeia Pindoty (Pariquera-Açu); professor Celso Aquiles, da aldeia Peguaoty (Sete Barras) e da coordenadora da Comissão Organizadora do CRP/SP, conselheira Lumena Celi Teixeira.
Identidade - Segundo Ubirajara Nascimento, a iniciativa do Conselho de reunir diversos profissionais interdisciplinares para a discussão sobre os assuntos que permeiam a saúde indígena o deixou satisfeito com a atuação do conselho. Ele ressaltou que a sua convivência com as questões indígenas vem de casa, pois seu pai aprendeu a falar tupi-guarani, costumava ensinar as pessoas, visitava as aldeias e promovia ajuda a essas comunidades. "Aprendi com meu pai que se deve ajudar ao máximo a preservação da identidade, porque você pode prestar auxílio técnico na área de saúde e de educação, mas se nós esquecermos a identidade do povo indígena, nada vai ser alcançado com a eficácia que se deve", declarou.
Segundo a coordenadora Lumena Teixeira, as discussões tiveram início em 2004, a partir do Seminário Nacional com o título Subjetividade dos Povos Indígenas, realizado em Luziânia (GO). À época, estiveram presentes mais de 30 etnias e psicólogos de todo país e os caciques apresentaram demandas referentes à saúde mental. Desde 2005, a CRP/SP vem realizando diversos encontros. "Sempre na perspectiva de estabelecer um diálogo com os indígenas por intermédio de suas lideranças, para não corrermos o risco de tentar ou construir um conhecimento que esteja distante da legitimidade dos próprios indígenas", ressaltou Lumena.
A antropóloga Vanessa Caldeira, que atua na Casa de Apoio à Saúde do Índio de São Paulo (Casai/SP), apresentou o Projeto Tamoromu, que tem como um dos objetivos desenvolver atividades com pacientes e acompanhantes indígenas durante a sua permanência na cidade de São Paulo, para tratamento médico de alta complexidade (atenção terciária). São pessoas vindas de diversas localidades do país, com origens étnicas e culturais diversificadas.
Vanessa contou sobre a importância do trabalho interdisciplinar. O projeto conta com uma equipe de profissionais das áreas de antropologia, psicologia, pedagogia e arte educação. Ela destacou uma das ações desenvolvidas pela equipe, a de acompanhamento de casos, que tem uma participação importante do psicólogo e do antropólogo para ajudar na humanização do tratamento dos pacientes, principalmente aqueles casos de saúde mais complexos. "É preciso escutar cuidadosamente os indígenas a respeito das dificuldades vividas na doença e ajudar na construção de sentidos, para aquilo que é vivenciado durante o tratamento", enfatizou.
A Funasa iniciou uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenadoria de Saúde Mental do município de São Sebastião, para atuar na área de saúde mental, principalmente o alcoolismo, na Aldeia Rio Silveira. O trabalho será acompanhado pela psicóloga Elisabeth Pastore, da Asin, e pelos integrantes da equipe de saúde multidisciplinar da aldeia. Já estão sendo realizadas reuniões e visitas in loco, juntamente com os técnicos da secretaria, para desenvolver ações integradas.
O próximo encontro já está marcado para o dia 26 de junho, em Itanhaém. No segundo semestre, os encontros interdisciplinares serão realizados nos municípios de Tupã, Bauru e na capital paulista.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.