VOLTAR

Encontro em SP discute a interculturalidade dos povos indígenas

Home Page da Funasa - http://www.funasa.gov.br/
03 de Jul de 2009

A Coordenação Regional de São Paulo (Core/SP), por meio da Assessoria de Saúde Indígena (Asin) participou, em Itanhaém, litoral sul paulista, da segunda etapa dos Encontros Interdisciplinares sobre Psicologia e Povos Indígenas, com a temática "A interculturalidade na atenção à saúde dos povos indígenas". O evento foi promovido pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP/SP) e contou com o apoio da Funasa e da Prefeitura Municipal de Itanhaém (PMI), na sexta-feira passada (26).

Em Intanhaém, região da Subsede do CRP da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, os palestrantes abordaram a interculturalidade, no que tange as questões étnicas, culturais, identidade e diversidade. Participaram do encontro em torno de 60 pessoas das áreas de psicologia, pedagogia, enfermagem, sociologia, medicina, antropologia, farmácia, direito, serviço social e também estudantes, das seguintes localidades de Campinas, Pariquera-Açu, Peruíbe, Registro, Santos, São Paulo e Sorocaba. Compareceram os profissionais das equipes multidisciplinares dos Polos-Base de Mongaguá e Peruíbe e o conselheiro indígena de saúde.

O gerente da área técnica de saúde mental do Projeto Vigisus II, Carlos Alberto Coloma, ressalta que para os profissionais que queiram trabalhar com culturas diferentes é necessário primeiro conhecer a cultura do outro. "Conhecer a cultura deles para depois conhecer a nossa, porque nesse exercício do diferente que a gente conhece, pois é um processo de conhecimento. Recomendo uma atitude de se aproximar do outro, aproximar do outro requer respeito, requer um comprometimento no seu trabalho", ressaltou.

Ele acredita que a psicologia poderá tocar num ponto central que é o pensamento e as emoções, para isso é preciso entender os estilos de vida, de como um povo pode mexer com seus elementos essenciais da vida para procurar um bem-estar. "Alegria não é sinônimo de posição econômica, o bem-estar é uma harmonia interna de como coexistir com uma realidade inclusive muito adversa, o que se requer e aprender muito com isso", destacou.

Para a palestrante e antropóloga, mestre em Sociologia e doutora em Ciências Sociais, que integra a Comissão de Apoio aos Povos Indígenas (CAPI), Maria Dorothea Post Darella, com uma atuação na área de pesquisa junto aos índios guarani em aldeias do litoral catarinense. Ela dá uma dica importante para pessoas quem queiram trabalhar com a etnia guarani. "Tenho feito um exercício que conjuga terra, território, territorialidade, territorização. Creio que compreender essa noção de mundo e essa questão territorial é central para qualquer pessoa que queira efetivar um trabalho com eles", enfatizou.

Ela ainda relatou a experiência de um professor de microbiologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que ministrou uma oficina sobre doenças contagiosas. Foi solicitado que os indígenas fizessem uma relação de doenças não contagiosas, para surpresa do professor, eles relacionaram o alcoolismo como doença contagiosa. "Está fora da nossa esfera de pensar. A doença é contagiosa quanto à forma do guarani entender o mundo, um elemento que na aldeia está bebendo, está fazendo uso excessivo de bebida alcoólica contagia outro a fazê-lo, daí a importância do tratamento nas aldeias, inclusive por aqueles que fazem as curas", exclamou.

Para o conselheiro Distrital de Saúde local, Luis Karai, da etnia Guarani da aldeia Urulty, considera importante o profissional da psicologia integrado com a equipe multidisciplinar de saúde indígena, dentro da comunidade. "As lideranças estão trabalhando em cima da conscientização, explicando qual é o motivo da causa desse abuso, abusivo de alcoolismo por isso é importante de ter o profissional, para a comunidade reconhecer isso, e poder colaborar com o profissional para ter a solução dos problemas", disse.

Já para a pedagoga, Walkiria Molica Amarante, que participou dos dois encontros, o anterior em São Sebastião, o que motivou seu interesse pela temática é porque está discutindo uma tese sobre as questões criativas que os indígenas costumam a utilizar para manter as referências culturais à frente de todos os impactos, mudanças em contato com o não indígena. "O encontro foi muito interessante, porque as vivências são bastante diversificadas", informou.

Ontem (02), a psicóloga Elisabeth Pastore, da Asin, se reuniu com os integrantes da Comissão Organizadora do CRP SP, representantes do conselho da Subsedes de Assis e Baruru, além de técnicos que atuam nas aldeias do Polo-base de Bauru, para planejar o terceiro encontro da série.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.