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Empresas brasileiras querem criar fórum sobre biodiversidade

Valor Econômico
16 de Set de 2011

Empresas brasileiras querem criar fórum sobre biodiversidade

Por Daniela Chiaretti De São Paulo

Os fornecedores de papel da editora alemã Axel Springer não devem cortar mais madeira do que podem replantar. A fabricante de chocolates Mars sabe que o cacaueiro precisa da sombra de árvores e da polinização de insetos para se desenvolver, e colocou como meta obter todo o cacau de áreas de cultivo sustentável. A marca de produtos de limpeza ecológicos Frosch (quer dizer rã em alemão), investe na vegetação das margens de rios europeus para garantir a preservação das rãs - o bicho é um indicador da alta qualidade da água. A brasileira Centroflora, que produz extratos botânicos para a indústria farmacêutica, cosmética e de alimentos, incentiva a produção orgânica de ervas e a extração sustentável da biomassa na sua cadeia de abastecimento. A biodiversidade começa a entrar nas planilhas de gestão das empresas.
Exemplos como esses foram descritos em um manual de gestão da biodiversidade produzido pelo governo alemão e publicado pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). É uma iniciativa que conta casos de sucesso, no mundo dos negócios, de empresas que lidam com a diversidade biológica e será discutido por empresas em reunião em São Paulo, na segunda-feira. Trata-se, também, de dar corpo a uma lei que preserve a biodiversidade brasileira, garanta seu acesso e a divisão dos benefícios que surgirem de seu uso.
O que se pretende é construir um plano nacional sobre o que ficou decidido em 2010, em Nagoya, no Japão, durante a conferência internacional sobre biodiversidade das Nações Unidas. Ali foram definidas metas para preservar e garantir o uso sustentável dos recursos naturais e, agora, cada país tem que definir suas estratégias. Até novembro, o governo quer encerrar a rodada de diálogos com os diversos setores da sociedade para discutir a questão.
O setor empresarial é dos mais ativos. Entre as principais propostas do Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (MEB), lançado em 2010 por um conjunto de 65 empresas e organizações, está a criação de um fórum nacional que tenha a biodiversidade como mote. A inspiração vem do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, ligado à Presidência da República e com representação de ministérios, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, setor produtivo. "Queremos reproduzir esta arquitetura política para a biodiversidade", diz Caio Magri, gerente-executivo de políticas públicas do Ethos, instituto que responde pela secretaria-executiva do MEB.
O MEB foi criado em 2010 por um grupo de empresas que esperam "aprimorar a agenda do governo da biodiversidade e cobrar políticas públicas", diz Magri. Ali há nomes como Natura, Unilever, Suzano, Walmart, Klabin e Vale ao lado de WWF-Brasil, Instituto Socioambiental (ISA), Fundação Getulio Vargas, Conservação Internacional (CI), Instituto Ipê e outros.
Construir um plano nacional sobre o uso e a preservação da biodiversidade não é simples. "As empresas tem uma visão, os povos da floresta têm outra, a academia, outra ainda", diz Magri. "Temos que chegar a um projeto dialogado para conseguir consenso e dizer o que o Brasil quer."

Valor Econômico, 16/09/2011

http://www.valor.com.br/empresas/1008718/empresas-brasileiras-querem-cr…

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