O Liberal-Belém-PA
20 de Jun de 2002
A empresa espanhola Comadex, que comprou mogno como se fosse cedro, confirmou ter feito negócio com a madeireira paraense Adair Comercial, desmentindo seus diretores, que negaram o fato através da Imprensa local. A exportação de mogno foi proibida há dois anos pelo governo brasileiro, mas esta foi a primeira vez que uma denúncia de venda de mogno como se fosse cedro - artifício para burlar a legislação em vigor - chegou ao conhecimento das autoridades.
"Desconhecíamos a necessidade de permissão especial para importar o mogno", alegou Julio Comín, que se identificou ao jornal espanhol "ABC" como "colaborador da Comadex", durante inspeção realizada naquele empresa pelo fiscal de Meio Ambiente de Madri, Emílio Valerio. Segundo justificativa de Comín, a Comadex adquiriu uma "quantidade insignificante de mogno", de 19 metros cúbicos, avaliada em U$$ 9.510.
Faturas de número 070/00 e 070-A/00, datadas de 30 de novembro de 2000, se referem a quatro contêineres embarcados em Belém no navio "Laurita" e destinados ao Porto de Valência, na Espanha, com um carregamento total de 98 metros cúbicos de madeira. Em uma delas a de número 070 consta a presença de 8.036 peças de mogno, num volume total de 25,18 metros cúbicos e avaliados em US$ 19.939.
Autorizou - Na outra, o mesmo número de madeira se transformou em "cedro KD", no valor de US$ 15.666. Na carta encaminhada pela exportadora Adair à importadora Comadex, o exportador brasileiro diz: "Ressaltamos ainda que, por motivos internos de nosso País, embarcamos o mogno como cedro-KD".
Comín nega a existência de recibos clonados, afirmando que um deles poderia ser "papel de uma fatura proforma". Ele também diz que para que o mogno entrasse na Espanha foram realizadas gestões junto aos orgãos aduaneiros, que concederam a autorização.
Outro empregado da Comadex, Mariano Ruiz, argumenta ser dever do país de onde procede o mogno, no caso o Brasil, efetuar o controle de saída da madeira. Ele assinalou que o expediente sobre o remessa do mogno foi remetido à empresa alguns dias antes da chegada do navio "Laurita" à Espanha.
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