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Emissão de gases de efeito de estufa ainda cresce no País

OESP, Metrópole, p. C3
22 de Ago de 2012

Emissão de gases de efeito de estufa ainda cresce no País
Brasil responde por 23% do total, ficando atrás apenas do México, com 30%; frota de carros na região dobrou em 10 anos

RIO

As emissões de gases de efeito estufa em áreas urbanas do Brasil representam 23% do total na América Latina. Só o México apresenta porcentual maior, de 30%. As principais emissões em áreas urbanas estão relacionadas com o consumo de combustíveis fósseis, fundamentalmente no setor de transportes.
Na América Latina, a frota de carros dobrou em dez anos. O relatório da ONU-Habitat mostra que, em menos de duas décadas, houve aumento de 18% das emissões per capita de CO2 nas cidades da região.
Para a ONU, serviços de reciclagem, reutilização e aproveitamento de resíduos sólidos são incipientes nesses países. "Um grande número de cidades ainda continua contaminando rios e mares e deixando lixo a céu aberto", disse o representante do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Erik Vittrup. O estudo aponta falhas no acompanhamento desses serviços e a falta de indicadores precisos.
Vittrup, que é dinamarquês, elogiou iniciativas de cidades brasileiras, como o sistema de transporte público de Curitiba, o projeto UPP Social em favelas do Rio, o orçamento participativo em Porto Alegre e a política de atenção às mudanças climáticas em São Paulo. "Os modelos de crescimento das cidades nos anos 1990 e anteriores não se adaptam aos desafios atuais", disse ele. O relatório elogia iniciativas como o resgate de zonas centrais e a criação de ciclovias, mas lamenta que não sejam uma tendência.
Fora do campo. Quase 80% da população da América Latina e do Caribe vive em cidades, proporção superior à do grupo de países mais desenvolvidos. O crescimento demográfico e a urbanização foram muito acelerados no passado recente, mas perderam força. O relatório projeta que a taxa de população urbana chegará a 89% em 2050. O êxodo rural também perdeu peso na maioria dos países da região, e as migrações ocorrem principalmente entre centros urbanos. Metade da população desses países mora em cidades com menos de 500 mil habitantes e 14% nas chamadas megacidades.
O relatório aponta que a consciência na região em relação aos problemas do meio urbano é maior do que no passado, mas avalia que a adoção de "medidas ambiciosas em escala local ainda é incipiente". O estudo teve apoio da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, entre outras entidades. /F.W.

OESP, 22/08/2012, Metrópole, p. C3

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,emissao-de-gases-de-efeito-…

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