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Em tempos de pandemia fizemos milhares de máscaras

Amazônia Real - https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos
22 de dez de 2020

Em tempos de pandemia fizemos milhares de máscaras

Por Samela Sateré-Mawé
Publicado em: 22/12/2020

Muitas pessoas perderam sua fonte de renda com o isolamento social da pandemia. Nós, da Associação de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (AMISM), que vivemos basicamente da venda de artesanatos feitos com sementes da Amazônia, também. Uma das alternativas encontradas foi a confecção de máscaras para proteção contra a Covid-19 e, também, como forma de subsídio. Essas máscaras confeccionadas pelas artesãs da AMISM foram doadas para outros indígenas além de serem também comercializadas.

A iniciativa deu-se após a artista May East, do grupo Artistic Earth Project, do Reino Unido, nos procurar oferecendo ajuda. A princípio o grupo comprou artesanato de todas as artesãs e logo após veio a ideia da confecção de máscaras, e nós mesmo sem saber costurar aceitamos o desafio.

Com a doação dos artistas foram compradas uma máquina de costura e materiais como: linhas; agulhas; tecidos; e elásticos. Nós assistimos vídeos na internet de como costurar máscaras. Todos da comunidade ficaram dispostos a aprender e ajudar na confecção. Também passamos a fábricas máscaras com o grafismo da nossa cultura.

Na pandemia só eu saia, só podia sair um para comprar na rua os materiais, fazer postagem nos correios e fazer o que fosse necessário fora da comunidade. Fizemos isso para tentar conter a entrada do vírus em nossa comunidade, foi assim até diminuírem os casos de coronavírus em nossa comunidade.

Em maio, participei de uma reunião com o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, um dos responsáveis pelo projeto (respire!, coordenado pelo Centro de Inovação da USP (InovaUSP), e a jornalista Kátia Brasil. Ele analisou nossas máscaras como corretas para prevenir a transmissão do vírus da Covid-19.

Muitas organizações encomendaram máscaras das mulheres Sataré-Mawé, como o Instituto Socioambiental (ISA), Operação Amazônia Nativa (OPAN), Fundação Amazônia Sustentável (FAS), UNICEF, Projeto Presença Karajá, entre outras. Com isso, as máscaras confeccionadas por nós chegaram em vários municípios do Amazonas, como Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira, Maués, Parintins, Barreirinha, Rio Preto da Eva, e outros estados do Brasil e até para outros países. Concomitantemente, a venda de artesanatos pelas redes sociais foi garantindo uma fonte de renda para as artesãs indígenas da AMISM.

Fotógrafos como Alberto Carvalho, Bruno Kelly, Daniel Araújo, Nathalie Brasil, Raphael Alves, artistas como Simone Moraes e Márcia Novo, além veículos de comunicação local e nacional também ajudaram na divulgação da nossa iniciativa, o que deu visibilidade a nossa ação e angariar doações em dinheiro e material de costura para a produção.

Hoje as mulheres da AMISM já fabricaram quase 20 mil máscaras, e sonham em poder fazer outros tipos de artesanatos que aprenderam durante o período em que costuram, como roupas, estojos e ecobags.

Confecção de máscara pelas mulheres Sataré-Mawé (Fotos Associação Amism)

Samela Sateré-Mawé
Samela Sateré-Mawé, 24 anos, é filha da líder Sonia da Silva Vilacio, do povo Sataré-Mawé, da Terra Indígena Andirá-Marau, no Baixo Rio Amazonas. É estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. Artesã, é integrante da Associação de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (AMISM). Participa do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM) e é apresentadora no canal Reload. Participou da primeira Oficina Jovens Cidadãos, em 2018.

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