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Em Minas, 8 presos por fraude em terras públicas

O Globo, O País, p. 11
21 de Set de 2011

Em Minas, 8 presos por fraude em terras públicas
Secretário do governo foi exonerado por Anastasia um dia antes, indicando que ele fora avisado

Thiago Herdy

BELO HORIZONTE.Dois diretores do Instituto de Terras de Minas Gerais (Iter) e outras seis pessoas foram presos ontem sob suspeita de participação em fraudes na legalização de terras públicas no Norte de Minas Gerais, que teriam causado prejuízos de, pelo menos, R$250 milhões. Uma força tarefa liderada pelo Ministério Público Estadual, com participação das polícias Civil e Federal, além do Ministério Público Federal, cumpriu mandados de busca e apreensão em 22 endereços do estado, entre eles a casa do secretário de Regularização Fundiária, Manoel Costa (PDT), em Belo Horizonte, que negou participação no esquema.
O governador Antonio Anastasia (PSDB) foi avisado sobre a operação com antecedência e exonerou o secretário e os dois diretores do Iter um dia antes da operação. Os atos do governador foram enviados para serem publicados no diário oficial do estado, nesta segunda-feira.
De acordo com os investigadores, o secretário seria um dos beneficiários de um esquema que começava com a expulsão de posseiros de terras do estado localizadas no Norte de Minas, no entorno de cidades como Salinas, Rio Pardo de Minas, Indaiabira e São João do Paraíso, entre outras, onde recentemente foram descobertas jazidas minerais. Pistoleiros e até mesmo policiais da região atuavam para garantir a desapropriação forçada das terras.
Em seguida, "laranjas" recebiam do governo do estado títulos que davam o direto às propriedades, especialmente para o exercício de atividades como a silvicultura. Nos meses seguintes, as terras eram revendidas a mineradoras interessadas em explorar o subsolo. Em apenas um dos casos sob investigação, ocorrido na região de Salinas, uma mineradora teria pagado R$41 milhões por terras que antes eram do estado e estavam registradas em nomes de supostos beneficiários das políticas de regularização fundiária.
A Justiça determinou o sequestro dos bens dos envolvidos no limite de R$41 milhões, referentes aos valores pagos pelas terras na região de Salinas.

O Globo, 21/09/2011, O País, p. 11

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