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Em dia de protestos em capitais, novas greves são marcadas

Valor Econômico, Brasil, p. A6
28 de Mai de 2014

Em dia de protestos em capitais, novas greves são marcadas

Por Rodrigo Pedroso e André Borges
De São Paulo e Brasília

Depois de protestos e greves em quatro capitais do país ontem, novas paralisações estão marcadas para esta quarta-feira. No Rio de Janeiro, rodoviários estão em greve por 24 horas desde a zero hora de hoje. Em São Paulo, servidores municipais de outras áreas aderiram à paralisação dos professores.
Ontem, manifestantes contra a Copa entraram em confronto com a polícia e travaram o centro de Brasília. Já em Salvador e São Luís, funcionários das empresas de ônibus cruzaram os braços mesmo após acordo entre sindicatos patronais e de trabalhadores.
No Rio de Janeiro, a prefeitura informou que a Polícia Militar deve garantir a segurança na saída das garagens de ônibus, nas estações do BRT Transoeste e nos terminais para aqueles que optarem por não aderir à paralisação. Os rodoviários são contra o acordo fechado em abril pelo sindicato dos motoristas e cobradores com as empresas de ônibus, que garantia reposição salarial de 10%, e argumentam que o sindicato fechou acordo sem ouvir o conjunto da categoria, que reivindica aumento salarial de 40%.
Em São Paulo, cerca de 2,3 mil professores municipais decidiram manter a greve após assembleia realizada ontem. Além dos professores, servidores das demais áreas da administração municipal e que também participavam do ato anunciaram greve. Os metroviários, por sua vez, prometeram greve a partir do dia 5 de junho depois de rejeitarem nova proposta de reajuste salarial.
Segundo Vlamir Lima, dirigente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), a prefeitura quer negociar por categoria, enquanto os servidores pedem um acordo conjunto.
O sindicato representa todos os servidores, com exceção dos professores. A única categoria que decidiu não aderir a paralisação são os guardas civis metropolitanos.
Ainda ontem, em Brasília, um grupo de aproximadamente mil manifestantes paralisou completamente o trânsito ontem no Plano Piloto, região central da capital federal. O chamado "eixo monumental", que funciona como uma das principais rotas de saída da cidade, ficou por pelo menos uma hora absolutamente travado, causando um caos no trânsito. A polícia usou bombas de efeito moral. Houve correria entre os manifestantes. Um grupo de pessoas tentou atingir a cavalaria, que reagiu com mais bombas. O ato, também marcado para hoje, aconteceu nos arredores do estádio Mané Garrincha. A taça da Copa do Mundo está exposta na arena.
Outro protesto, de cerca de 300 índios, segundo a polícia, ocupou a marquise do Congresso Nacional. O grupo cantou e dançou num protesto pacífico em defesa dos direitos dos povos indígenas. Antes, tentaram subir a rampa do Palácio do Planalto e fizeram uma pajelança na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela demarcação de suas terras. Os índios pretendem ficar acampados até quinta-feira.
Em Salvador, 1,5 milhão de pessoas ficaram sem ônibus de acordo com estimativa da prefeitura. Houve paralisação total da frota após motoristas e cobradores não acatarem o acordo feito pela direção do sindicato. Foram registrados protestos e piquetes na porta das garagens das empresas.
O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) havia determinado que uma frota mínima com 50% dos ônibus circulasse na capital baiana, chegando a 70% nos horários de pico. O não cumprimento da ordem vai gerar multa de R$ 100 mil por dia ao sindicato. Sem ônibus, muitas lojas, clínicas, bares e restaurantes não abriram as portas.
O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), disse enfrentar dificuldade para dialogar com motoristas e cobradores de ônibus. "É inegável que é difícil ter uma interlocução quando não há uma liderança no movimento", afirmou.
No sexto dia de greve, motoristas e cobradores pararam 100% dos ônibus em São Luís. Segundo o sindicato dos trabalhadores, a estratégia foi adotada porque, desde o início da paralisação, não houve avanço nas negociações. Até anteontem, 70% da frota circulava. A greve prejudicou cerca de 750 mil passageiros. Os rodoviários reivindicam reajuste de 16% e melhorias nas condições de trabalho. (Com agências noticiosas)

Valor Econômico, 28/05/2014, Brasil, p. A6

http://www.valor.com.br/brasil/3565184/em-dia-de-protestos-em-capitais-…

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