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Autor: José Cordeiro de Oliveira
07 de Ago de 2008
O Cardeal Aloísio Lorscheider deixou sua marca em favor dos índios, fez um chamamento à sociedade civil cearense para que se mobilizasse na defesa de todos eles: "São desprotegidos e só podem contar com nossa solidariedade de homens e mulheres, cristãos e cristãs". Na apresentação do livro "Os Índios no Siará" foi enfático: "A nossa história está por demais manchada com o sangue dos Índios. Nunca deveria ter sido assim! O pior, porém, é que esta mentalidade perdura até nossos dias. Não se respeita a pessoa do índio, não se respeita a sua cultura, não se respeita o seu habitat, não se respeita a sua identidade. Como estamos longe do que Jesus diz no Sermão da Montanha: 'O que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles' (MT 7,12)".
Noutro trecho Dom Aloísio declara à imprensa que a existência dos índios no Ceará não pode ser contestada, pois a Igreja na sua ação pastoral, sabe mais do que ninguém que eles são índios. Os índios que enfrentam atualmente as maiores dificuldades na luta por suas terras, só para narrar três dos inúmeros episódios, um dia já foram aliciados para trair a política nacional de demarcação das terras indígenas: um lobby formado por 55 presumíveis proprietários liderados pela UDR que reclamaram por ditas terras, estaria disposto a negociar caso os índios vestissem a "camisa da traição" com a bênção da Igreja Católica. No caso, o Ceará seria o primeiro Estado do Brasil a adotar a figura jurídica da Colônia Agrícola para Índios. Se não fosse a visão do Cardeal Arcebispo de Fortaleza, a Colônia Agrícola teria descido goela-abaixo nos deputados constituintes.
Sempre que grupos capitalistas e estrangeiros fazem investidas contra as terras indígenas, aliciar as lideranças é o primeiro passo e, não alcançando o intento, puxam do baú da discriminação e do preconceito o velho argumento de que no Ceará não existe índio. Querem se apoderar das terras indígenas assim livres de quaisquer embaraços. Até alterar mapas são capazes de fazer: uma empresa de consultoria, ao elaborar o Plano Diretor de um determinado município, foi aconselhada a deixar fora do mapa da reserva indígena em nome da ilusória geração de emprego e renda.
O que acontece atualmente é outra vez retórica ilícita, abusiva, perversa e perigosa, pois até declarados mortos os índios já foram, "acometidos por um mal contagioso", mas ninguém acreditou, nem Dom Pedro I, mesmo estando tão distante do Ceará!
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