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Em Barra do Piraí, no Estado do Rio, já se vive rodízio diário de água

OESP, Metrópole, p. A11
14 de Ago de 2014

Em Barra do Piraí, no Estado do Rio, já se vive rodízio diário de água
Torneiras só funcionam 12 horas no bairro Areal; prefeito diz que situação se agravou após decisão da Cesp, no início do mês

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

BARRA DO PIRAI - Moradores do bairro Areal, em Barra do Piraí, município do Estado do Rio, têm sofrido com a falta de água desde o início de agosto. Embora o problema da distribuição de água seja recorrente na região, eles afirmam que a situação se agravou na semana passada. Alguns chegaram a ficar cinco dias sem água.
O período coincide com a redução da vazão do Rio Jaguari, importante afluente do Paraíba do Sul, que abastece a região. A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) diminuiu a quantidade de água liberada, passando de 30 mil para 10 mil litros por segundo.
O problema foi detectado pela Prefeitura de Barra do Piraí em 4 de agosto, quando uma das seis estações que bombeiam a água para todo o município teve de ser desligada, porque o baixo nível de água impedia seu funcionamento. Depois disso, 15 mil moradores foram afetados. Segundo o secretário municipal de Água e Esgoto, Adalberto de Oliveira, nessa área o abastecimento ocorre 12 horas por dia. Nas outras 12, as torneiras ficam vazias.
Em outras duas estações, o nível da água está apenas 3 centímetros acima do limite de captação. Se houver nova redução (da vazão da água), 80% dos moradores de Barra do Piraí ficarão sem água, prevê o secretário.

Mina. Para contornar o desabastecimento, os moradores captam água em uma mina de água conhecida como Caixinha. É o caso de Oséias Portugal, de 36 anos, que na manhã desta quarta-feira foi à mina buscar água para a família beber e cozinhar. "Acredito que não seja só um problema de distribuição, mas também de falta de chuva", opinou. Nesta terça, a água chegou ao alto da Rua da Torre, onde ele mora.
O Areal é um vale e o reservatório que abastece o bairro fica em cima de um morro. A água chega às casas mais baixas "na pressão", mas não tem força para chegar às residências mais altas, e não existe bomba para levar o sistema de abastecimento até lá. "Ficar sem água faz parte do nosso cotidiano, mas é muito desagradável. Com certeza este é um dos piores meses deste ano."
Carregando um galão para 20 litros, o estudante Lucas Assis, de 14 anos, aguardava sua vez de captar água na mina. Ele contou que há uma semana tem sido liberado da escola municipal Paulo Fernandes, onde cursa o 7.o ano do ensino fundamental, às 10 horas, apesar de o turno terminar somente às 12h20. "Quase não tem aula e estamos sem merenda, porque não tem água", diz. Segundo ele, é a primeira vez que isso acontece na cidade.
A reportagem foi até a escola onde Lucas de Assis estuda. Uma funcionária que não se identificou afirmou que os alunos foram dispensados mais cedo "só hoje" pela falta de água, mas depois recuou e disse que não poderia falar nada sobre o assunto. A diretora da escola não quis atender à reportagem.
Em cidades do sul fluminense perto de Barra do Piraí, como Volta Redonda e Barra Mansa, ainda não há falta de água, mas os moradores estão apreensivos com a notícia da redução da vazão do rio. Há outros municípios afetados.

Solicitação à ANA. O prefeito de Barra do Piraí, Maércio de Almeida, atribuiu a falta de água à decisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de reduzir a vazão na barragem situada no Rio Jaguari. "Essa decisão foi um absurdo, tomada sem consultar ninguém. Espero que a ANA (Agência Nacional de Águas) tome alguma providência", disse. Ele procurou o órgão já na semana passada, para informar os problemas. / Colaborou Fábio Grellet

OESP, 14/08/2014, Metrópole, p. A11

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