O Globo, Sociedade, p. 27
18 de Mar de 2015
Em 23% dos rios, qualidade da água é ruim ou péssima
Levantamento foi feito em seis estados e no DF pela SOS Mata Atlântica
RENATO GRANDELLE
renato.grandelle@oglobo.com.br
SOS Mata Atlântica analisou 111 rios em sete estados. A escassez de chuvas vista desde o ano passado contribuiu para a melhora da qualidade da água dos rios na Região Sudeste. A conclusão é de um levantamento divulgado hoje pela ONG SOS Mata Atlântica. Os pesquisadores coletaram água em 301 pontos de 111 rios em seis estados, a maioria no Rio e em São Paulo, e no Distrito Federal. Do total, 23,3% têm qualidade ruim ou péssima. Considerando o crescimento descontrolado da cidade e a ocupação de regiões de nascentes e córregos, acreditava-se que este percentual seria maior.
Sem chuvas, os rios urbanos não receberam os resíduos que normalmente são deixados em suas margens.
A coleta e o tratamento das bacias assegurou o aumento da qualidade da água nos rios paulistanos. O percentual de amostras com qualidade regular saltou de 30,2% para 50,9%.
- Na cidade do Rio, porém, o número de locais com amostras de qualidade ruim aumentou de 40% para 66% - critica Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. - Isso aconteceu devido a uma soma de fatores: o esgoto não-tratado e o aumento da temperatura contribuíram para a proliferação de algas. A cidade investe pouco em saneamento básico. E o lixo é cada vez mais recorrente nos 15 pontos que avaliamos. A água é poluída assim que os rios deixam as unidades de conservação, como a Floresta da Tijuca.
Segundo Malu, o Rio é marcado pelo desencontro entre órgãos responsáveis pela despoluição dos rios e os que fazem a coleta de detritos no solo.
O levantamento é realizado desde 1993 em São Paulo, como parte do programa de despoluição do Rio Tietê, e chegou em 2013 ao Rio de Janeiro. O resultado final é uma média das taxas registradas uma vez por mês. Os pontos são escolhidos de acordo com sua relevância para a comunidade. O rio Carioca é um dos casos mais emblemáticos. Antes de passar pela estação de tratamento do esgoto, no Flamengo, a qualidade da água é ruim. Depois, ganha condição regular. No entanto, ainda precisaria de técnicas mais sofisticadas para ser considerada própria para o consumo humano.
- As pessoas falam da falta de água no Sudeste, mas o debate assumiu um ângulo errado. Deveríamos falar da qualidade de água disponível, e não de sua quantidade - ressalta Malu. - Nós temos muitos rios. E muitos não podem ser usados para consumo devido à falta de educação e à má gestão.
A ONG também acusa o que considera uma flexibilidade excessiva adotada pelo governo para classificar os rios. Em alguns, a única obrigação é a retirada da carga orgânica. Não há exigências relacionadas ao tratamento de resíduos químicos e produtos farmacológicos, entre outros poluentes.
Consciência
ALÉM DE reconhecer erro na sua política econômica do primeiro mandato, a presidente Dilma admitiu problemas no Fies. Um deles, não haver qualquer critério de desempenho para a concessão de bolsas. SE A presidente passar a dar valor à meritocracia, poderá corrigir outras distorções em políticas oficiais, como na distribuição de cotas.
O Globo, 18/03/2015, Sociedade, p. 27
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/pesquisa-sobre-rios-…
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