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Eliane cobra consulta a indígenas sobre Ferrogrão e FICO: 'não somos contra o desenvolvimento'

Olhar Direto - www.olhardireto.com.br
Autor: Da Redação
27 de Abr de 2026

A deputada estadual em exercício Eliane Xunakalo Bakairi (PT) afirmou que projetos de infraestrutura como as ferrovias Ferrogrão e FICO avançam sem a devida consulta aos povos indígenas afetados.

Em entrevista ao PodOlhar, ela defendeu o cumprimento da consulta livre, prévia e informada, prevista em legislação internacional, como forma de reduzir conflitos. "Não há uma consulta como deveria ser.

A gente fica sabendo pela imprensa e precisa recorrer à Justiça ou protestar", disse. Os projetos da Ferrogrão (EF-170), que pretende ligar o norte de Mato Grosso ao Pará para escoamento da produção agrícola, e da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que conecta o estado a Goiás, enfrentam questionamentos de comunidades indígenas sobre impactos ambientais e territoriais. No caso da FICO, há relatos de interferência em áreas de povos Xavante e impasses relacionados ao processo de licenciamento. Segundo Eliane, a ausência de diálogo prévio agrava os conflitos e impede ajustes nos projetos. "Cada povo tem seu protocolo de consulta. Se esse processo fosse respeitado, muitos conflitos poderiam ser evitados. É possível discutir traçados, fazer alterações", afirmou. A parlamentar comparou a situação à intervenção em um espaço privado sem consentimento.

"É como alguém entrar na sua casa e decidir que vai passar uma estrada ali, sem te ouvir", disse. Ela defendeu que há possibilidade de conciliar desenvolvimento econômico e respeito aos territórios indígenas, desde que haja negociação. "Não somos contra o desenvolvimento, mas é preciso diálogo e construção de consenso", afirmou. Eliane também criticou a prioridade dada a obras voltadas ao setor produtivo em comparação a outras áreas. "Há agilidade para determinados projetos, mas não vemos o mesmo para serviços como saúde", disse. A deputada comentou ainda declarações do ex-governador Mauro Mendes (União) sobre povos indígenas e obras de infraestrutura. Segundo ela, esse tipo de posicionamento contribui para ampliar preconceitos. "Quando há falas que desrespeitam, isso impacta a forma como a sociedade nos vê e pode gerar mais discriminação", afirmou. Eliane disse que as comunidades têm recorrido a instrumentos legais para reagir a esse tipo de situação. "A gente responde com notas, busca o Ministério Público e a Justiça", declarou. Ela concluiu afirmando que lideranças públicas devem adotar postura de diálogo diante de divergências. "É preciso respeitar quem pensa diferente e reconhecer que também somos famílias, com direitos e valores", disse.

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