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Eletrobras pretende fatiar venda de distribuidoras

Valor Econômico, Empresas, p. B2
07 de Mai de 2015

Eletrobras pretende fatiar venda de distribuidoras

Daniel Rittner e Carolina Oms

O governo planeja "fatiar" a privatização das distribuidoras de energia controladas pela Eletrobras em até quatro etapas e deverá começar o processo de venda pela estatal goiana Celg.
Esse processo ganhará velocidade, segundo fontes ligadas à Eletrobras, assim que o governo renovar as concessões das distribuidoras. Os contratos vigentes expiram em julho e vão ser prorrogados, mas falta definir os valores dos planos quinquenais de investimentos com que as empresas terão que se comprometer para modernizar suas redes e obter uma extensão. Isso será fundamental para estabelecer o preço mínimo de venda dos ativos.
Uma resolução do Conselho Nacional de Desestatização (CND) deu ontem largada formal à venda da Celg Distribuição, cujo controle é dividido entre a Eletrobras (51%) e o Estado de Goiás (49%). A intenção é fazer uma oferta conjunta das ações no segundo semestre de 2015, transferindo a administração da empresa à iniciativa privada. Essa oferta já estava prevista
no acordo que transferiu, por R$ 59,5 milhões, a gestão da distribuidora goiana à estatal federal. A resolução sugere à presidente Dilma Rousseff incluir a Celg-D no Programa Nacional de Desestatização (PND).
Em seguida, na segunda fase do processo, devem ser oferecidas as distribuidoras em localidades já conectadas ao sistema interligado nacional: as antigas Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas), Eletroacre (Acre) e Ceron (Rondônia) - rebatizadas recentemente.
A dúvida é se a Amazonas Energia entra nesse lote ou fica numa etapa intermediária. O Estado foi conectado ao sistema, graças à linha de transmissão Tucuruí-Manaus, mas com atrasos - os testes só estão sendo concluídos agora. Na fase intermediária, se houver, entraria também a CEA (Amapá). Ela está em processo de transferência para a Eletrobras, que já participa da administração, mas ainda não assumiu seu controle.
Por último, ficará a CERR, de Roraima - última unidade da federação sem ligação ao sistema interligado, devido a atrasos na construção da linha Manaus-Boa Vista, que não teve aval da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A venda das distribuidoras, deficitárias e endividadas, faz parte do plano estratégico formulado pela Eletrobras para o período 2015-2030, que já foi aprovado pelo conselho de administração, mas ainda não foi detalhado. O Ministério de Minas e Energia também precisa aprovar o plano.
No início do ano passado, um estudo do banco Santander encomendado pela Eletrobras avaliou em R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão o valor de mercado de seis distribuidoras da estatal - a Celg não entrou no cálculo, pois não havia sido incorporada.
O estudo também apontava a necessidade de investimentos da ordem de R$ 3,5 bilhões para adequá-las ao nível de qualidade exigido atualmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa última cifra, no entanto, pode ter ficado defasada por causa das novas exigências que serão feitas para a renovação das concessões.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será acionado pela Eletrobras para fazer uma avaliação final dos ativos e do valor de mercado das empresas. Depende disso, essencialmente, a definição da fatia acionária que será vendida em cada uma ou em todas as distribuidoras. É certo, porém, que a estatal vai se desfazer do controle e colocará pelo menos 51% em oferta para o mercado.
O fatiamento da venda, no entanto, dificulta as possibilidades de crescimento de grupos que vinham incorporando gradualmente distribuidoras às suas carteiras. É o caso da Energisa, que comprou oito companhias do Grupo Rede, quando elas saíram de um longo e inédito processo de intervenção pela Aneel. Ou da CPFL Energia, que hoje administra oito empresas no segmento, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Para a Eletrobras, segundo fontes, o maior interesse não é arrecadar dinheiro, mas se ver livre do passivo que essas distribuidoras representam e das obrigações de pesados investimentos nos próximos anos para recuperar os índices de qualidade. Formalmente, a estatal não quis fazer nenhum comentário e disse desconhecer as informações obtidas pelo Valor.

Valor Econômico, 07/05/2015, Empresas, p. B2

http://www.valor.com.br/empresas/4038794/eletrobras-pretende-fatiar-ven…

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