OESP, Metrópole, p. C5
24 de Mar de 2013
Eles não medem esforços para ajudar quem precisa
Na recente tragédia da enchente em Petrópolis, que matou 33 pessoas, voluntários entraram novamente em ação, movidos pela solidariedade
Marcelo Gomes
ENVIADO ESPECIAL
PETRÓPOLIS
Eles não perderam nenhum parente ou amigo no temporal do último fim de semana que deixou 33 mortos em Petrópolis, na região serrana do Estado do Rio. Também não tiveram suas casas danificadas nem destruídas por deslizamentos. Mas fizeram questão de ajudar, seja nas buscas por soterrados nas avalanches de lama ou na retirada de pertences de imóveis condenados pela Defesa Civil. Solidariedade e desejo de auxiliar o próximo movem estas pessoas.
O técnico em raio X Gabriel Oliveira, de 30 anos, mora em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele trabalha como socorrista em uma empresa que aluga ambulâncias de resgate para grandes eventos e conseguiu alguns dias de licença para ajudar as vítimas de Petrópolis. Ele havia atuado nas tragédias do Morro do Bumba, em Niterói, em abril de 2010; de Nova Friburgo, na região serrana, em janeiro de 2011, e de Xerém, na Baixada Fluminense, em janeiro deste ano. Na última quarta-feira, esteve no bairro Alto Independência, onde sete pessoas de uma mesma família morreram soterradas.
"Já fiz cursos de especialização de combate a incêndios e de suporte básico e avançado a feridos. Quando ocorrem essas tragédias, trago alguns equipamentos da empresa e trabalho com os bombeiros. Minha maior recompensa é salvar a vida de alguém e receber um 'obrigado'. Isso não tem preço", explica Oliveira, que ajudou moradores que abandonavam suas casas em áreas de risco a retirar camas, sofás, armários e outros pertences. O paulista Rafael Baruzzi, de 27 anos, também esteve no Alto Independência esta semana. Foi a primeira vez que decidiu arregaçar as mangas e ajudar vítimas de tragédias naturais.
Ele mora há cinco anos em Petrópolis, desde que entrou na Faculdade de Medicina. O rapaz deseja atuar na ONG Médicos Sem Fronteiras, que socorre vítimas de conflitos armados pelo mundo. "Como estudante de Medicina tenho bom conhecimento sobre primeiros socorros e posso ser bastante útil. Se cada um fizer sua parte, tudo fica mais fácil."
Já Pedro Penalva, de 20 anos, cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na capital, apesar de morar em Petrópolis. O sonho de se tornar oficial do Corpo de Bombeiros foi frustrado após ser reprovado no exame de vista por causa da miopia.
No temporal que devastou a região serrana em 2011, Penalva auxiliou na procura de vítimas e na distribuição de donativos para quem perdeu tudo.
"Na Arquitetura, pretendo atuar na área de planejamento urbano. Ninguém mora no morro, em área de risco, porque quer. Temos de pensar em políticas públicas de habitações populares para evitar que, em toda chuva forte, alguém morra."
Anunciados em 2011, radares ainda não chegaram ao Rio
Presidente do Instituto Estadual do Ambiente culpa burocracia pela lentidão de licitação de R$ 15 milhões
Felipe Werneck / RIO
Dois anos após o anúncio da compra de dois radares meteorológicos de longo alcance e alta precisão para o Estado do Rio, feito em janeiro de 2011 pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, os aparelhos ainda não chegaram. À época, durante a tragédia que matou mais de 900 pessoas na região serrana, Minc afirmou que alegaria emergência para adquirir os radares.
"Eles serão instalados até dezembro", afirma a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos. Ela culpou a burocracia pela demora e disse que o prazo de quase três anos "é considerado um recorde".
Foi realizada uma licitação internacional de R$ 15 milhões para a compra dos aparelhos, financiada pelo Banco Mundial.
"Só em janeiro consegui licitar e contratar a primeira fase de obras para controle de cheias", diz Marilene. "Levamos dois anos entre elaborar e aprovar os projetos, publicar as licitações e assinar os contratos para poder dar ordem de início às obras."
Cada um dos equipamentos terá alcance de 400 quilômetros.
"São dois radares banda S, que é a Ferrari dos radares meteorológicos. Vai melhorar muito a nossa capacidade de previsão."
Verba. Na quarta-feira, o Estado mostrou que, apesar de ser a terceira cidade do Rio mais afetada pelas chuvas de 2011, Petrópolis recebeu apenas R$ 41,2 mil do governo federal para obras relacionadas a desastres naturais. A verba veio da soma das liberações dos quatro principais programas do Ministério da Integração Nacional em 2012 - de um orçamento total de R$ 5,7 bilhões.
O levantamento foi feito pela ONG Contas Abertas.
Alerta em Petrópolis
A chuva voltou a deixar Petrópolis em estado de alerta. Ontem, 11 toques avisaram os moradores em áreas de risco - a cidade soma 33 mortos por causa do temporal de domingo passado.
Demolição de prédios tem início
Começou ontem a demolição de um dos 11 prédios do programa federal Minha Casa, Minha Vida construídos para receber os desabrigados do Morro do Bumba, em Niterói (RJ), que perderam suas casas por causa das chuvas de 2010. A Caixa Econômica Federal, responsável pelo projeto, apelou para a demolição porque rachaduras comprometem a estrutura - outro edifício também terá de ser posto abaixo, o que acontecerá até amanhã.
Nos dois casos, as fissuras foram causadas pelo encharcamento do terreno, depois das chuvas da última semana. A Imperial Engenharia, que recebeu R$ 22 milhões, arcará com os custos. Sem as novas moradias, 89 família permanecem vivendo no 3.o Batalhão de Infantaria, em São Gonçalo. / FERNANDANUNES
OESP, 24/03/2013, Metrópole, p. C5
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