OESP, Vida, p. A12
Autor: SOARES, Ismar; ROMANINI, Vinícius
27 de Out de 2008
A Educomunicação na luta pelo meio ambiente
Ismar Soares* e Vinícius Romanini*
A palavra educomunicação ainda soa estranha a muitos ouvidos. Quando algum especialista fala em educomunicação, o interlocutor estranha e pergunta se o neologismo faria sentido hoje levando em conta que toda educação deveria, por si mesma, ser adjetivada como comunicativa. Na verdade, o termo já vem sendo usado há pelo menos duas décadas, identificando uma área de educação para a comunicação, isto é, a educação para a formação do chamado senso crítico em relação à mídia, especialmente a televisão.
Traduzia, portanto, preocupação que agora está latente nas discussões em torno da chamada classificação indicativa da produção televisiva. Nesse sentido, por um tempo, o conceito educomunicação significou apenas e exclusivamente educação para a mídia. Atualmente, contudo, o campo de atuação ampliou-se consideravelmente. Além de educar para a mídia, a proposta é que os professores se apropriem das diferentes tecnologias, como o jornal impresso, rádio, TV e internet, no dia-a-dia da sala de aula. A pergunta da educomunicação não é como usar melhor essas mídias, mas sim como utilizar esses recursos para melhorar as relações de comunicação, sejam na sala de aula ou fora dela, com os diferentes atores da comunidade escolar, o que envolve alunos, funcionários, professores e moradores.
E o uso desse conceito não se restringe ao ambiente escolar. Nos últimos dez anos ocorreram notáveis mudanças nessa inter-relação, como a que permitiu ao Ministério do Meio Ambiente incluir em sua meta o desenvolvimento da educomunicação socioambiental, adotando-a como referência para a ação dos coletivos educadores. O objetivo é o de suprir o que as grandes campanhas midiáticas não alcançam: transformar cada habitante do País em defensor ativo da natureza, em um sujeito capaz de empregar, de modo adequado, todos os recursos de informação disponíveis em seu espaço para mobilizar sua comunidade na defesa do ambiente e em sua revitalização.
De fato, a educomunicação socioambiental é uma ferramenta poderosa para levar para todos os espaços a discussão das questões que aparecem diariamente na mídia. Um jovem que produz um programa de rádio, uma revista em quadrinhos ou um vídeo amador, levantando e discutindo os problemas socioambientais de sua região conquista uma capacidade propositiva que reverberará por toda sua vida. O fato convenceu o Núcleo de Comunicação da USP (NCE/USP) da importância estratégica de colocar a universidade à disposição do processo de aproximação e de articulação entre os distintos atores. Esta é a razão que levou um pool de organizações que envolve USP, poder público e iniciativa privada a convocar o 6o Simpósio Brasileiro de Educomunicção com o tema Meio Ambiente, Jornalismo e Educomunicação, que pretende reunir, entre amanhã e quinta, no espaço do Sesc Vila Mariana um total de 500 participantes provenientes do setor público, do empresariado, da mídia e da educação formal para debater o papel do jornalismo e da educomunicação no tratamento das questões relativas ao meio ambiente. O evento, que contará com um grupo de 50 palestrantes, terá uma cobertura educomunicativa a ser implementada por cem adolescentes de diversas secretarias de educação e de organizações não-governamentais, fazendo uso das modernas tecnologias para levar os resultados do evento a todo o Brasil.
* Ismar de Oliveira Soares é coordenador do NCE/USP Vinícius Romanini é coordenador do LAC/ECA
Mais informações em www.sescsp.org.br; http://simposioeducom.blogspot.com.br
OESP, 27/10/2008, Vida, p. A12
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