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Eduardo Almeida permanece na Funai mesmo sob pressão

A Tarde-Salvador-BA
Autor: Lenilde Pacheco
15 de Jul de 2003

Após uma reunião com o ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Eduardo Almeida, confirmou ontem a sua permanência no cargo, apesar das pressões contrárias enfrentadas nos últimos dias. Almeida considera ter sido alvo de uma campanha conduzida por determinados setores econômicos, ligados a parlamentares, cujo objetivo é o de desestabilizar a sua gestão.

Almeida falou ao jornal A TARDE, no início da noite de ontem, logo após a audiência no Ministério da Justiça. "O ministro não confirmou as informações publicadas pela imprensa", explicou. Segundo o jornal O Globo, Márcio Thomaz Bastos não estaria satisfeito com a atuação do presidente da Funai.

"Há uma campanha de desestabilização da presidência da Funai. É um cargo muito difícil e muito visado. A Funai desagrada setores ligados à exploração madeireira, ao tráfico de drogas, segmentos da garimpagem de diamante e de ouro. Esses esquemas são poderosos, envolvem membros do parlamento, políticos", declarou Almeida.

Na avaliação do presidente da Funai, o trabalho que está em andamento incomoda muita gente porque contraria vários interesses no dia-a-dia da administração, iniciada em janeiro. "A gente bate de frente com determinados setores na simples defesa dos direitos indígenas. Esses setores se vêem contrariados e essa insatisfação se traduz em fortes pressões", assinalou. "Alguns políticos também estão contrariados com a demarcação de terras indígenas".

Eduardo Almeida disse que não ficarão arestas em seu relacionamento com o ministro Márcio Thomaz Bastos. Segundo ele, a "fritura" desencadeada por uma série de notas plantadas nos jornais não teve a participação de lideranças do governo. "Os compromissos do governo com a reestruturação da Funai estão mantidos", garantiu. "Não há fritura, nem o governo cederá aos setores insatisfeitos" .

O encontro entre Almeida e o ministro aconteceu às 18 horas de ontem. Até este horário, a troca de comando na Funai era considerada inevitável até mesmo por assessores diretos do presidente, preocupados com o elevado nível de desgaste produzido pelo noticiário dos últimos dias. A notícia da permanência de Eduardo Almeida foi recebida com satisfação por esses assessores, no início da noite.

O 30o presidente da Funai é natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Eduardo Aguiar de Almeida já trabalhou no órgão como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000, para acompanhar a situação dos índios do Extremo Sul da Bahia, tendo sido também integrante do Grupo de Trabalho responsável pela demarcação da terra indígena pataxó Monte Pascoal entre 2000 e 2001. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente.

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