Valor Econômico, Empresas, p. B3
05 de Dez de 2014
EDP antecipa obra e fatura R$ 170 milhões
Companhia prevê colocar em operação neste mês última máquina de Santo Antônio do Jari
Por Rodrigo Polito | De Laranjal do Jari (AP), Almeirim (PA) e São Paulo
A EDP Energias do Brasil prevê colocar em operação nas próximas semanas a terceira, e última, turbina da hidrelétrica de Santo Antônio do Jari, no rio Jari, entre o Amapá e o Pará, investimento de R$ 1,2 bilhão. Com o marco, a empresa concluirá a instalação da usina, de 373,4 megawatts (MW) de capacidade (suficiente para atender uma cidade com 3 milhões de habitantes) e que iniciou a operação com três meses e meio de antecedência em relação ao prazo firmado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), fato pouco comum no setor elétrico hoje, marcado por atrasos nos cronogramas de usinas e linhas de transmissão.
Segundo o presidente da EDP Energias do Brasil, Miguel Setas, a antecipação do cronograma de Santo Antônio do Jari, cujo compromisso contratual previa o início de operação apenas em janeiro de 2015, trouxe uma geração de caixa adicional para a companhia da ordem de R$ 170 milhões até o fim de novembro. A empresa negociou a energia relativa à antecipação da hidrelétrica no mercado livre, através de leilões de contratos de curto prazo.
A antecipação, que não estava prevista na concepção original da usina, foi alcançada, segundo o vice presidente de geração da EDP Energias do Brasil, Luiz Otávio Henriques, devido à adoção de um modelo de gerenciamento de projetos desenvolvido pela própria empresa com base no guia internacional PMBOK (Project Management Body of Knowledge).
"Talvez o segredo tenha sido a antecipação de problemas", disse Henriques, destacando que, na prática, o ponto forte da gestão foi a fiscalização intensa de cada etapa da implantação da usina junto aos prestadores de serviço. As obras de engenharia foram feitas pela construtora paranaense Cesbe e os equipamentos eletromecânicos, fornecidos pelo consórcio Alstom / Areva.
O modelo adotado para a construção da usina está sendo praticado agora em outras duas hidrelétricas em implantação das quais a EDP Brasil participa: Cachoeira Caldeirão, no Amapá, de 219 MW, prevista para entrar em operação em 2017 e que está com 56% de avanço físico; e São Manoel, de 700 MW, no rio Teles Pires (MT), prevista para dar a partida em 2018.
"Vemos nesse projeto [Santo Antônio do Jari] a forma como a EDP quer fazer os novos projetos no Brasil", afirmou Setas.
A EDP Brasil possui 50% de participação em Santo Antônio do Jari e em Cachoeira Caldeirão. A outra metade nos dois projetos pertence à CWEI Participações, subsidiária integral da chinesa China Three Gorges Corporation, que por sua vez detém 21,35% da holding portuguesa EDP, controladora da elétrica brasileira. Em São Manoel, EDP Brasil e CWEI possuem, cada uma, 33% de participação. O restante pertence à estatal Furnas, subsidiária do grupo Eletrobras.
Quando as três usinas estiverem em plena operação, até 2018, o parque gerador da EDP subirá para 2,8 mil MW, proveniente de 17 hidrelétricas e uma termelétrica a carvão no Ceará, em parceria com a Eneva (antiga MPX, controlada por Eike Batista e a alemã E.ON). As hídricas e as térmicas serão o foco da EDP na área de geração no Brasil.
Na última semana, a companhia assinou memorando de entendimentos com a EDP Renováveis (EDPR), empresa do mesmo grupo situada na Espanha, para definir as condições para a potencial aquisição pela EDPR dos 45% de participação da EDP Brasil na EDP Renováveis Brasil, braço da companhia voltada para desenvolvimento de parques eólicos no país, com 84 MW de capacidade de eólicas em operação e 236 em construção. Com a operação, a EDPR ficará com a integralidade das ações da EDP Renováveis Brasil.
"Isso [o acordo] denota um foco da companhia nas suas competências principais: água e térmica. Portanto, com essa saída da EDP Renováveis Brasil, nos vemos como operador hidrotérmico, focado na geração hidrelétrica e termelétrica", explicou Setas.
A EDP também possui duas concessões de distribuição de energia no país, sendo uma no Espírito Santo e outra no interior de São Paulo, além de atividades na área de comercialização de energia.
O repórter viajou a convite da EDP
Primeira usina-plataforma do país
Rodrigo Polito | De Laranjal do Jari (AP), Almeirim (PA) e São Paulo
Enquanto o governo ainda enfrenta dificuldades para destravar os impasses ambientais para o leilão da megausina de São Luiz do Tapajós, a hidrelétrica de Santo Antônio do Jari, situada na fronteira do Pará e o Amapá, será a primeira concluída nos moldes do conceito de "usina-plataforma" no país. O modelo, que o governo pretende adotar em Tapajós, é inspirado nas plataformas petrolíferas, onde não há impacto ambiental significativo no entorno do empreendimento, após construído.
As estruturas auxiliares para a construção de Santo Antônio do Jari - como o alojamento, o refeitório e o espaço de lazer para funcionários - foram instaladas em uma área já utilizada pela Jari Celulose perto da usina. Com a proximidade do fim da obra, a área está sendo desmobilizada e será devolvida à produtora de celulose. E, no local, será replantada uma floresta de eucalipto.
O pico das obras da hidrelétrica contou com a participação de 3.100 funcionários. Hoje, apenas 700 pessoas continua no local, preparando a instalação da terceira máquina da usina e da central hidrelétrica complementar, de 3,4 megawatts (MW), construída para a aproveitar a manutenção da vazão na cachoeira de Santo Antônio do Jari, que não foi removida.
Parte da mão de obra utilizada na usina será deslocada para outra obra da EDP Energias do Brasil no mesmo Estado: a hidrelétrica de Cachoeira Caldeirão, no rio Araguari, ao Norte de Macapá, capital do Amapá. Nos dois empreendimentos a EDP tem 50% de participação. A outra metade pertence à CWEI Participações, subsidiária da chinesa China Three Gorges Corporation, que possui 21,35% da holding EDP, em Portugal.
Outro aspecto da "usina-plataforma" que a EDP implantou é o sistema de operação remota, o que reduz o número de funcionários necessários na hidrelétrica, após a construção. Santo Antônio do Jari será operada a partir do centro de operação da geração da empresa, em Vitória, no Espírito Santo, a mais de 2,5 mil quilômetros de distância. Na usina, ficará basicamente uma equipe para emergências e realização de manobras pontuais.
A EDP Energias do Brasil foi uma das primeiras empresas a adotar o sistema de operação remota também para a área de distribuição. A companhia consegue operar à distância suas duas distribuidoras no país, situadas no Espírito Santo e no interior de São Paulo.
Valor Econômico, 05/12/2014, Empresas, p. B3
http://www.valor.com.br/empresas/3805426/edp-antecipa-obra-e-fatura-r-1…
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