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Ecoturismo ajuda a reduzir pobreza em locais próximos a áreas protegidas

Instituto CarbonoBrasil - http://www.institutocarbonobrasil.org.br/
Autor: Jéssica Lipinski
28 de Fev de 2014

Uma nova pesquisa conduzida em áreas naturais da Costa Rica e publicada nesta terça-feira (25) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, aponta que o ecoturismo nesse tipo de local pode ajudar a reduzir a pobreza nas comunidades vizinhas em até dois terços.

Embora estudos anteriores já defendessem a hipótese de que o ecoturismo traz benefícios aos povos que passam a praticar essa atividade econômica, não havia uma compreensão precisa de como isso acontecia.

Então os autores Paul Ferraro, professor de economia e política ambiental da Escola de Estudos Políticos Andrew Young da Universidade Estadual da Geórgia, e seu aluno Merlin Hanauer, agora na Faculdade de Economia da Universidade Estadual de Sonoma, avaliaram três possíveis causas para a ligação entre a redução da pobreza e o estabelecimento de áreas de proteção ambiental:

1) Mudanças nos serviços turísticos e recreativos;

2) Mudanças na infraestrutura, incluindo estradas, clínicas de saúde e escolas;

3) Mudanças em serviços ecossistêmicos, tais como a polinização e serviços hidrológicos que uma área de conservação pode oferecer.

Nossa meta era mostrar exatamente como a proteção ambiental pode reduzir a pobreza em nações mais pobres em vez de exacerbá-la, como muitas pessoas temem. Nossos resultados sugerem que, através do uso de conjuntos de dados existentes, tais como estimativas de pobreza de dados de censo, os impactos de programas e políticas de conservação em populações humanas podem ser mais bem definidos", observou Ferraro.

Os pesquisadores salientam que ainda há dúvidas sobre o assunto que precisam ser sanadas, e que é necessário considerar que os resultados valem para a região da Costa Rica, que é famosa por sua indústria do ecoturismo e possui características específicas. Contudo, eles afirmam que o estudo pode servir de base para pesquisas posteriores sobre a questão em outros lugares.

"Nossas descobertas podem resultar no aprimoramento de programas e políticas de conservação e em melhores impactos nas comunidades adjacentes a esses locais, em nível regional e em todo o mundo", acrescentou o professor de economia e política ambiental.

De fato, há planos que atualmente buscam encontrar soluções para problemas ambientais através do ecoturismo. Um deles está sendo desenvolvido em Madagascar, onde cientistas buscam criar um programa para salvar as populações de lêmures, animais que vivem exclusivamente na grande ilha africana.

De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza, das 103 espécies de lêmures existentes, 90% estão ameaçadas, sendo que 20 espécies são consideradas em perigo crítico. Esses animais representam 20% das espécies de primatas do mundo, e os principais fatores que os ameaçam são a destruição do habitat, extração ilegal de madeira e a caça para subsistência.

Por isso, pesquisadores estão propondo um plano de ação de emergência de três anos, no valor aproximado de US$ 7,6 milhões, que una iniciativas de ecoturismo a melhorias em programas de conservação para salvar os bichos.

O programa inclui proteger o habitat dos lêmures, criar mais oportunidades para os cientistas observarem os animais e arrecadar fundos através da conscientização sobre o ecoturismo, com o estabelecimento de passeios em que os turistas têm a chance de explorar a vida selvagem e a natureza através do contato com os lêmures, pagando um determinado valor pela experiência. A iniciativa também deve ajudar financeiramente vilarejos e cidadãos.

Iniciativa semelhante está sendo desenvolvida em Ruanda e Uganda para apoiar os esforços de conservação do gorila-das-montanhas. Os turistas pagam um determinado valor para ver os primatas em seu habitat natural, e essa renda é usada para apoiar comunidades locais e planos de conservação.

Christoph Schwitzer, um dos proponentes do programa para os lêmures, espera que o projeto seja realmente capaz de assegurar fundos através do pagamento dos turistas. "Não perdemos uma única espécie de lêmure - na verdade, nenhuma única espécie de primata, durante os dois últimos séculos, desde que nossos registros começaram. Temos as pessoas, temos o lugar, temos as ideias, falta apenas o financiamento", comentou Schwitzer.

Recentemente, a revista britânica Green & Blue Tomorrow lançou o seu Guia para o Turismo Sustentável (The Guide to Sustainable Tourism), que apresenta dicas de atitudes e roteiros para quem quer fazer uma viagem mais ecológica e socialmente correta.

O manual apresenta exemplos de turismo sustentável que não só ajudam a preservar a natureza, como também melhoram a vida da comunidade local. "É quase um pré-requisito hoje [...] ter credenciais responsáveis. É meu objetivo fazer os visitantes pensarem um pouco sobre seu lugar no mundo", afirmou Andrew Booth, um dos participantes no guia, que destina 100% dos lucros de sua agência de viagens para melhorar a educação no Camboja.

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias4/noticia=736506

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