OESP, Geral, p.A14
09 de Out de 2004
Ecologista queniana ganha o Nobel da Paz
Wangari Maathai é também ativista política e defensora dos direitos humanos e da mulher
Evanildo da Silveira
A ambientalista queniana Wangari Maathai é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2004. De acordo com o Comitê Nobel de Oslo, que anunciou a vencedora ontem pela manhã, ela foi contemplada por sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz. O prêmio de US$ 1,3 milhão será entregue em 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, que criou a honraria.
Ainda segundo o comitê, Wangari foi escolhida entre 194 candidatos - número recorde de indicações para um Nobel da Paz -, porque "a paz no mundo depende de nossa capacidade de preservar o meio ambiente" e a ecologista queniana está "à frente da luta para promover um desenvolvimento ecológico, que seja viável social, econômica e culturalmente, no Quênia e na África".
Em suas primeiras declarações após saber que tinha sido a ganhadora, Wangari disse à TV estatal norueguesa que estava muito surpresa com a premiação. "Eu estou muito lisonjeada e emocionada", declarou, com lágrima nos olhos. "Eu realmente não esperava por isso. O meio ambiente é muito importante para a paz porque, quando nós destruímos nossos recursos e eles ficam escassos, nós lutamos por eles."
Nascida em 1940, no Quênia, Wangari tem três filhos e é vice-ministra do Meio Ambiente do seu país. Ela foi uma das primeiras mulheres da África Ocidental a ter um doutorado, no caso, em Biologia, e é fundadora do movimento Cinturão Verde, um dos programas de maior êxito de proteção do meio ambienta, graças ao qual foram plantadas no Quênia cerca 30 milhões de árvores. É a 12.ª mulher a receber o Nobel da Paz e a primeira africana.
Além da militância ecológica de Wangari, o Comitê Nobel levou em conta sua luta política. "Ela representa um exemplo e uma força de inspiração para todos aqueles que na África lutam pelo desenvolvimento, a democracia e a paz", informou o comitê, que lembrou que a premiada combateu com coragem a opressão no Quênia e suas "formas de ação contribuíram para chamar a atenção nacional e internacional sobre a opressão política".
Wangari tem ainda outros feitos em sua vida. Ela foi co-presidente do Jubilee 2000, grupo africano que lutava pelo cancelamento da dívida externa dos países do continente. Dirigiu a Cruz Vermelha do Quênia nos anos 1970 e foi integrante do Conselho de Desarmamento da ONU, na mesma época em que fez parte da direção de várias organizações ecológicas internacionais. Seu atuação rendeu-lhe vários prêmios internacionais, mas também várias passagens por prisões do seu país, incluindo uma em 1999, depois de protestos nas ruas de Nairóbi contra a devastação dos bosques.
Lágrimas - A notícia da concessão do Nobel da Paz para Wangari foi recebida com lágrimas de alegria na sede do movimento Cinturão Verde, presidido pela ganhadora, no Quênia. "O movimento inteiro está dando pulos e chorando de felicidade", disse à EFE por telefone Wangira Maathai, filha da premiada e coordenadora da organização. "Estamos como loucos porque não esperávamos. Este é um enorme reconhecimento para todas as pessoas que lutaram conosco, pessoas que foram agredidas pela polícia por sua luta e seu protesto."
Para o vice-presidente de Ciência da Conservação Internacional no Brasil, José Maria Cardoso da Silva, a concessão do Nobel para uma ecologista mostra que a paz e a conservação do meio ambiente estão intimamente relacionadas.
"Ela teve a idéia genial de combinar a preservação e a restauração ambiental com a criação de emprego e renda, paz, democracia e desenvolvimento sustentável", disse Silva. "Além disso, também lutou pelos direitos humanos e da mulher." (Com EFE e AFP)
OESP, 09/10/2004, p. A14
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